O presidente do Chega, André Ventura, desafiou esta sexta-feira o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a apresentar uma moção de confiança na Assembleia da República, considerando que o Governo perdeu capacidade para governar e que o país “está pior” do que há dois anos.
Durante a sua intervenção no debate do Estado da Nação, Ventura afirmou que Portugal vive um período de degradação em áreas como a Saúde, Educação, Administração Interna, Infraestruturas e Habitação, responsabilizando o Executivo por aquilo que classificou como “um dos piores governos da história democrática”.
“O Governo que queria reformar, devia reformar-se”, afirmou, defendendo que, depois de o primeiro-ministro ter acusado a Assembleia da República de querer governar em lugar do Executivo, deve agora demonstrar “coragem e determinação” através da apresentação de uma moção de confiança.
“Tenha a coragem de apresentar uma moção de confiança ao Parlamento em Portugal”, apelou.
Também pela bancada do Chega, a deputada Cristina Rodrigues considerou que o Governo falhou na política de imigração, afirmando que as alterações introduzidas à Lei dos Estrangeiros e à Lei da Nacionalidade são insuficientes. A parlamentar criticou ainda a atribuição de apoios sociais a imigrantes, considerando que as medidas adotadas “atiram areia para os olhos dos portugueses”.
Já Rita Matias acusou o Executivo de abandonar os jovens portugueses, sustentando que as políticas aprovadas beneficiam sobretudo jovens de classes mais favorecidas. Em resposta, a deputada do PSD Ana Gabriela Cabilhas pediu ao Chega que apresentasse propostas concretas para a juventude.
EXAMES: PS pergunta se existe ‘plano de contingência’ para a divulgação das notas dos exames nacionais
O debate ficou ainda marcado pelas críticas do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que questionou o Governo sobre os atrasos na divulgação das classificações dos exames nacionais e perguntou se existia um plano de contingência caso as notas não fossem publicadas dentro do prazo previsto.
Na resposta, Luís Montenegro garantiu que o processo de correção digital decorre com elevados níveis de rigor e transparência, reconhecendo perturbações, mas assegurando que o Governo continua empenhado em cumprir o calendário definido.
O primeiro-ministro aproveitou ainda para acusar PS e Chega de tentarem “governar em nome do Governo” através das decisões tomadas na Assembleia da República, defendendo que algumas propostas aprovadas pela oposição colocam em causa o equilíbrio das contas públicas.
O debate do Estado da Nação prossegue com intervenções dos restantes partidos, num confronto político centrado nas políticas do Governo e na avaliação da situação económica e social do país.



