O presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, afirmou esta quinta-feira que o concelho não terá metrobus (BRT – Bus Rapid Transit) enquanto o processo de construção da circular rodoviária externa não estiver concluído.
A posição do autarca foi assumida durante a reunião do executivo municipal, em resposta a uma interpelação da Iniciativa Liberal sobre o futuro do transporte público de alta capacidade em Braga.
“Não há BRT em Braga enquanto o processo da circular rodoviária externa não estiver fechado. A nossa prioridade é a circular e é nisso que estamos a trabalhar”, afirmou João Rodrigues, reforçando que a nova infraestrutura rodoviária constitui a principal aposta estratégica do município.
A decisão surge depois de o Governo ter anunciado recentemente que a primeira fase da ligação em BRT entre Guimarães e Caldas das Taipas deverá estar concluída no final de 2030, num investimento estimado de 80 milhões de euros. Para a segunda fase, que prevê a ligação entre Caldas das Taipas e Braga, ainda não existe calendário definido.
Circular externa como prioridade
Em janeiro, João Rodrigues anunciou que o Governo iria investir 80 milhões de euros na circular rodoviária externa de Braga, com a previsão de execução da primeira fase — entre Frossos e Ferreiros, conhecida como variante do Cávado — durante o atual mandato autárquico.
A infraestrutura deverá ainda incluir uma segunda fase, com ligação entre a zona do Nova Arcada e a Serra do Carvalho, atravessando áreas industriais de Pitancinhos, Adaúfe e Navarra.
Na mesma altura, o presidente da Câmara anunciou a suspensão do projeto de BRT dentro da cidade, que incluía a chamada linha vermelha, prevista para ligar a estação ferroviária ao Hospital de Braga, passando pela Universidade do Minho.
João Rodrigues defendeu então que, em matéria de metrobus, a prioridade deveria passar pela ligação entre Braga e Guimarães e pela futura estação de alta velocidade ferroviária prevista para a cidade.
Município devolveu 13 milhões de euros
Durante a reunião desta quinta-feira, o vereador da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, questionou o executivo sobre os custos associados à desistência da construção da linha vermelha do BRT.
João Rodrigues explicou que o assunto ainda está em negociação, mas confirmou que o município já devolveu 13 milhões de euros que tinha recebido através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a concretização do projeto.
Braga tinha assegurado um financiamento global de 76 milhões de euros do PRR para o BRT, verba que acabou por ser perdida na sequência da decisão de suspender a implementação da linha urbana prevista.



