Os governos de Espanha e França reconheceram esta sexta-feira que os incêndios florestais que assolam ambos os países se encontram, em várias frentes, “fora de controlo”, levando à mobilização de meios extraordinários e ao pedido de ajuda à União Europeia.
Em Espanha, o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, classificou a situação como “dramática”, numa mensagem publicada na rede social X, onde alertou para a dimensão da emergência.
“Estamos a viver uma situação dramática, não só em várias províncias espanholas, mas também em regiões de países vizinhos. Os incêndios florestais estão a devastar milhares de hectares e a afetar inúmeras comunidades”, escreveu o chefe do Governo espanhol.
A evolução dos incêndios obrigou o Governo de Madrid a declarar o estado de emergência nas províncias de Madrid e Ávila, permitindo ao Executivo central assumir a coordenação das operações de combate e proteção civil, competência habitualmente atribuída às comunidades autónomas. Trata-se da segunda vez que este mecanismo é acionado, depois do apagão que afetou a Península Ibérica em abril de 2025.
As autoridades espanholas justificam a gravidade da situação com a conjugação de temperaturas elevadas, baixa humidade e ventos superiores a 50 quilómetros por hora, fatores que têm favorecido a rápida propagação das chamas.
Vários municípios permanecem sob ordens de confinamento e mais de 430 idosos e pessoas com deficiência foram retirados de cinco lares localizados na região de Madrid por precaução.
O ministro da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska, deslocou-se ao centro de comando instalado em Cenicientos, onde afirmou que a principal prioridade operacional passa por impedir a convergência de dois grandes incêndios que ameaçam fundir-se numa única frente ativa a oeste da capital espanhola.
Também em França, a situação continua a agravar-se. As autoridades determinaram a evacuação da península de Cap Ferret, enquanto dezenas de incêndios alimentados pelo vento mistral continuam a alastrar no sul do país, particularmente nas imediações da histórica localidade de Cotignac.
Segundo as autoridades francesas, pelo menos 25 habitações foram destruídas pelas chamas, obrigando à mobilização de um vasto dispositivo de emergência.
Perante a dimensão da crise, Espanha solicitou quatro aeronaves de combate a incêndios através do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia. França recorreu igualmente ao mesmo mecanismo e deverá receber rapidamente reforços aéreos europeus, incluindo dois aviões portugueses, conforme anunciou o Presidente francês, Emmanuel Macron.
As autoridades espanholas mantêm ainda o alerta máximo devido ao elevado risco de novos incêndios. O serviço meteorológico estatal prevê uma ligeira melhoria das condições durante o fim de semana, mas alerta que o risco continuará muito elevado ou extremo em grande parte do território, podendo voltar a agravar-se nos próximos dias.
A vaga de incêndios que atinge Espanha e França insere-se num contexto de temperaturas extremas e seca prolongada que tem afetado vários países do sul da Europa, colocando as autoridades de proteção civil em alerta permanente perante o elevado potencial de propagação das chamas.



