Sarampo reapareceu em quatro países na Europa, entre os quais o Reino Unido

A Europa atravessa um surto de casos de sarampo e a doença ressurgiu em quatro países, incluindo o Reino Unido, onde tinha sido considerado eliminada, alertou esta quinta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS), apelando a intensificar a vacinação. Até ao início de Agosto, estavam confirmados 10 casos em Portugal.

A OMS registou 89.994 casos de sarampo em 48 países europeus no primeiro semestre de 2019, mais do dobro do mesmo período do ano passado (44.175) e mais do que em todo o ano de 2018 (84.462).

Com base nos números de 2018, a doença já não é considerada como “eliminada” no Reino Unido, Grécia, República Checa e Albânia.

Para a OMS, o estado de “eliminação” é a ausência de transmissão contínua por 12 meses numa área geográfica específica.

No Reino Unido foram notificados 953 casos em 2018 (489 desde 1 de Janeiro de 2019), enquanto 2.193 foram relatados na Grécia (28), 1.466 na Albânia (475) e 217 na República Checa (569).

Segundo este relatório da OMS, até ao início de Agosto, estavam confirmados em Portugal 10 casos da doença. Em todo o ano passado foram 171 os casos confirmados. Portugal teve no ano passado três surtos de sarampo, que, entretanto, a Direcção-Geral da Saúde já declarou como extintos.

O sarampo é considerado eliminado em 35 dos 53 países da região. Eram 37 os países com esta classificação em 2017. É uma doença endémica em 12 países, incluindo França e Alemanha, onde a vacinação deverá tornar-se obrigatória a partir de Março de 2020.

A Áustria e a Suíça alcançaram o ‘status’ de “eliminação” depois de “demonstrarem a interrupção da transmissão contínua por pelo menos 36 meses”.

Globalmente, o número de casos relatados triplicou entre o período de 1 de Janeiro a 31 de Julho de 2018 (129.239) e os primeiros sete meses deste ano (364.808).

Os casos mais numerosos foram registados na República Democrática do Congo, Madagáscar e Ucrânia. Os Estados Unidos registaram o maior número de casos de sarampo em 25 anos.

No primeiro semestre de 2019, 78% dos casos foram registados em quatro surtos de contágio: Cazaquistão, Geórgia, Rússia e Ucrânia, que por si só representam 60% dos casos.

Na Europa, a maioria das pessoas infectadas tem menos de 19 anos (60% dos casos).

O sarampo é considerado eliminado em 35 dos 53 países da região. Eram 37 os países com esta classificação em 2017. É uma doença endémica em 12 países, incluindo França e Alemanha, onde a vacinação deverá tornar-se obrigatória a partir de Março de 2020.

A Áustria e a Suíça alcançaram o ‘status’ de “eliminação” depois de “demonstrarem a interrupção da transmissão contínua por pelo menos 36 meses”.

ALERTA PARA O MUNDO

Günter Pfaff, presidente do Comité Regional para a Verificação da Eliminação do Sarampo e da Rubéola : “o regresso da transmissão do sarampo é um problema preocupante: se não conseguirmos estabelecer e manter alta a cobertura de imunização em cada comunidade, crianças e adultos terão um sofrimento desnecessário e alguns estarão condenados a uma morte trágica”.

“Cada um desses países é um exemplo de cobertura nacional de imunização extremamente alta, portanto não são exemplos de países com sistemas particularmente fracos [de saúde]”, acrescenta Kate O’Brien, directora do departamento de vacinação da OMS.

“Acho que é um alerta para o mundo: não basta atingir uma alta cobertura nacional, deve ser feito um esforço em todas as comunidades e famílias”, acrescentou.

Extremamente contagioso e que pode levar a complicações graves, por vezes fatais (37 casos na Europa no primeiro semestre deste ano e 74 em 2018), o sarampo geralmente é transmitido por contacto directo ou pelo ar, infectando as vias respiratórias, espalhando-se depois pelo organismo.

Não existe cura para o sarampo, mas a doença pode ser evitada com duas doses de uma vacina, segundo a OMS, que estima que mais de 20 milhões de mortes são evitadas em todo o mundo entre 2000 e 2016 graças a à vacinação.

A OMS calcula que menos de um em cada 10 casos seja relatado em todo o mundo, o que significa que a escala da epidemia é muito maior que as estatísticas oficiais indicam.

A agência especializada da ONU estima que, de facto, ocorram cerca de 6,7 milhões de mortes por ano relacionadas ao sarampo, disse O’Brien.

O sarampo está a ressurgir em todo o mundo devido ao escasso acesso aos cuidados de saúde e à desconfiança relativamente às vacinas. Até 2016, no entanto, estava em regressão.

Nos países ocidentais, os ‘antivacinas’ afirmam que há uma ligação entre a vacina contra o sarampo e o autismo. Mais de uma vez, a OMS negou essa teoria, baseada num estudo falsificado.

Redacção com Sapo24 e TSF

 

Jornal O Desportivo

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