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A Panqueca de Giotto

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Por João Dinis Oliveira

Farinha de aveia, leite, ovo e banana. Com apenas quatro ingredientes faço aquelas que são as melhores panquecas de sempre. Deixem-me ser claro: não só as melhores panquecas da actualidade, mas de toda a história.

Um ovo, duzentos mililitros de leite, uma banana e a quantidade de farinha de aveia necessária para o tamanho, espessura e viscosidade desejada.

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Sou preguiçoso e, em vez de cominuir a aveia, encomendo online farinha de aveia de uma conhecida marca portuguesa de produtos alimentares e desportivos. Não vou divulgar o nome da marca pois ainda não tenho o meu merecido código personalizado de descontos.

Não sou apreciador de leite e para evitar desperdícios compro pequenos pacotes que se encontram em qualquer supermercado. A banana deverá estar madura para facilitar a mistura e para que as panquecas fiquem com aquele sabor e aroma característico.

Finalmente, o ovo. Como ainda não estou autorizado a ter um galinheiro na varanda, tenho também de o comprar no supermercado.

Fazer panquecas ou, como constará brevemente do dicionário, “panquecar”, faz parte da minha rotina matinal de sábado. Misturar os ingredientes e colocar a massa na frigideira ao som do meu programa de actualidades políticas e sociais favorito.

É um processo simples que semanalmente experiencio e apuro. Qual a melhor frigideira? De que altura verter a massa? Qual o tamanho ideal da panqueca? Quanto tempo deve permanecer na frigideira até ser necessário virá-la? Torna-se também um momento de introspecção e balanço da semana de trabalho.

Como em tantas outras coisas, a beleza da panqueca e do seu fabrico está nesta simplicidade. Dos ingredientes aos utensílios, tempo necessário e, mais importante, do prazer obtido. Não é fácil criar coisas simples.

Percebo também que a repetição de coisas simples, de que gostamos, facilitam o nosso processo de aprendizagem e melhoria. Não procuro a panqueca perfeita, a chamada panqueca de Giotto, perfeita como o círculo. Procuro melhorar semanalmente toda a experiência. Que cada panqueca seja perfeitamente imperfeita e resultado da minha dedicação.

Não o faço de forma consciente, mas todo este processo mostra a quem comigo partilha as panquecas que sou um homem capaz de melhorar, experimentar coisas novas, ter dias menos bons e cozinhar panquecas menos saborosas ou menos fofas, mas ainda assim não desistir.

Se semanalmente panqueco é porque não o faço só para mim e toda este texto culinário que partilho convosco mais não é do que uma receita de amor.

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