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Alguns mitos sobre o abuso sexual de crianças/adolescentes

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Opinião de Maria Vale

 

O abuso sexual de crianças/adolescentes é raro. Mito! Em 2019 registaram-se 956 casos (RASI, 2019) e entre 2016-2019 foram acompanhadas 881 crianças/adolescentes vítimas (APAV, 2019). O abuso tende, ainda, a ser repetido e continuado no tempo.

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Só é abuso sexual de crianças/adolescentes quando existe penetração oral/vaginal/anal. Mito! Integra quaisquer práticas de cariz sexual que envolvam um menor: tocar/acariciar, manipular órgãos genitais, expor e/ou incitar à participação em conversas/fotografias/vídeos pornográficos e aliciar à prostituição. 

O abuso sexual de crianças/adolescentes envolve sempre violência física. Mito! O agressor pode coagir, manipular, ameaçar ou subornar.

As vítimas são sempre raparigas e de famílias carenciadas. Mito! O abuso sexual é transversal ao sexo, idade, etnia, orientação sexual, religião e escolaridade. O agressor atua conforme a facilidade em aceder à vítima. 

Os agressores são sempre desconhecidos, com aspeto duvidoso e patologias mentais. Mito! É geralmente praticado por membros familiares/alguém próximo da vítima. São pessoas comuns e integradas na sociedade.

O abuso sexual apenas ocorre porque as crianças/adolescentes seduzem o agressor. Mito! A idade e imaturidade desenvolvimental da vítima não lhe permite compreender o que está a acontecer e as suas consequências. Não é uma escolha livre e consciente. Isto é, também, uma estratégia do agressor para descredibilizar a vítima e se desresponsabilizar pelos seus atos.

O abuso sexual não tem impacto nas crianças/adolescentes. Mito! É um evento traumático que implica consequências nefastas a curto/longo-prazo. Dor/prurido/lesões genitais, doenças sexualmente transmissíveis, alterações do apetite/sono, baixa autoestima, medos, depressão, ansiedade, ideação/tentativas de suicídio, declínio no rendimento escolar, comportamento agressivo e isolamento social.

Se a criança/adolescente for vítima de abuso sexual, ele/a revela. Mito! Pode não saber que é inadequado e/ou como denunciar. Pode sentir medo, culpa e vergonha de destruir a família, de ser institucionalizado/a, do castigo ao agressor e do estigma social.

Não devo falar com as crianças/adolescentes sobre abuso sexual. Mito! É essencial ensinar o que são contatos físicos indesejados, como se podem auto-proteger e como pedir          ajuda.

O abuso sexual de crianças/adolescentes não é crime. Mito! É um Crime Público.

Denuncie/Peça ajuda! Pode fazê-lo, por exemplo, no Centro de Saúde, GNR, CPCJ,  Linha de Apoio à Vítima da APAV (116 006).

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