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Antiga educadora condenada a 25 anos de prisão por matar bebé com soda cáustica em França

A justiça francesa condenou esta quinta-feira a 25 anos de prisão uma antiga trabalhadora de uma creche pelo homicídio, em 2022, de uma bebé de 11 meses, que forçou a beber soda cáustica.

Myriam Jaouen, 30 anos, foi acusada de homicídio, mas os jurados do Tribunal de Rhône, Lyon (centro-leste de França), consideraram-na culpada de “tortura e ato bárbaro que levou à morte sem intenção de causá-la”.

O Ministério Público tinha pedido uma pena de prisão de 30 anos, 20 dos quais obrigatórios.

Há um “elemento insondável que nos escapa” neste crime, disse o procurador Baptiste Godreau, durante o julgamento em Lyon, mas considerou que a acusada, Myriam Jaouen, agiu “de consciência tranquila”.

“Para punir a extrema gravidade deste ato, por ter tirado cobardemente a vida a uma criança indefesa, para proteger a sociedade de uma forma duradoura e para proteger os interesses da família”, o procurador tomou a seu cargo a exigência de uma pena “pesada”.

A arguida admitiu sob custódia policial ter obrigado a bebé a ingerir o líquido corrosivo, um desentupidor de canos, insistindo, no entanto que não a queria matar.

A mulher apresentou várias versões dos factos antes de admitir, durante o julgamento, que tinha segurado a cabeça da criança e deitado o produto diretamente na sua boca, explicando que já não conseguia suportar o choro da menina.

“Oito minutos a sós com uma criança quando se tem um diploma CAP [Certificado de Aptidão Profissional] em primeira infância, será isso insuperável?”, perguntou Godreau.

O magistrado denunciou a “cobardia” da arguida após o acontecimento, que não pediu ajuda, fez desaparecer o frasco de líquido, terminou o seu dia de trabalho e foi às compras, aparentemente indiferente à “agonia” do bebé.

A advogada dos pais da bebé lamentou as respostas evasivas da arguida durante o julgamento.

“A primeira pessoa que deveria pensar e interrogar-se (…) é Myriam Jaouen e não o faz”, declarou Catherine Bourgade.

“Ao fim de três dias, não sabemos mais nada”, reforçou a advogada.

Mas para Jean Sannier, advogado da associação Inocência em Perigo, “ela não responde, porque não há resposta: não se mata uma criança numa creche”.

“CRUELDADE INDESCRÍTIVEL”

A mulher cometeu “um ato de crueldade indescritível”, concordou a sua colega Sidonie Leblanc, da associação Criança Azul Infância Maltratada, que também interpôs uma ação civil.

O julgamento, ao qual Myriam Jaouen assistiu com as costas frequentemente curvadas, mas sem demonstrar grande emoção, pôs em evidência a sua personalidade frágil e as suas capacidades cognitivas limitadas.

Na altura dos acontecimentos, a mulher, parcialmente surda, ainda vivia com os pais, após um percurso escolar difícil e uma experiência intermitente no setor da primeira infância.

Era “absolutamente imatura”, afirmou o Ministério Público.

A 22 de junho de 2022, a funcionária estava sozinha na abertura do estabelecimento quando o pai deixou lá a bebé, que “não chorava”, segundo o seu comovente testemunho.

Alguns minutos mais tarde, duas mulheres que tinham ido deixar os seus filhos encontraram a empregada em pânico e a criança a vomitar.

A menina, que tinha sofrido queimaduras graves, morreu ao fim da manhã no hospital.

A tragédia causou comoção e desencadeou uma série de inquéritos administrativos, parlamentares e jornalísticos sobre a corrida aos lucros no setor das creches privadas.

Os pais da bebé, de luto, quiseram trazer o debate de volta à responsabilidade criminal do “monstro” que matou a sua filha.

“Falar de creches é um mau assunto”, disse a mãe de Lisa na quarta-feira, que recordou a sua filha como uma menina risonha, morta uma semana antes do seu primeiro aniversário.

ovilaverdense@gmail.com

Com SIC / Legenda: Ministério Público pedia 30 anos, 20 dos quais obrigatórios /Foto AFP

 

 

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