A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) divulgou as Estatísticas APAV | Pessoas Turistas Vítimas de Crime e Violência | 2021-2025, um retrato da realidade das pessoas turistas que recorreram aos serviços da instituição nos últimos cinco anos.
Entre 2021 e 2025, a APAV apoiou 282 pessoas turistas vítimas de crime e violência, tendo registado um aumento significativo no número de atendimentos ao longo do período analisado. Os dados revelam uma subida de 210,3%, passando de 29 pessoas apoiadas em 2021 para 90 em 2025.
Durante estes cinco anos, foram contabilizados 402 crimes e outras formas de violência associados às situações acompanhadas pela Associação.
Para efeitos destas estatísticas, a APAV considera pessoa turista aquela que se desloca para fora da sua área de residência habitual e permanece pelo menos uma noite no destino visitado por motivos não relacionados com trabalho remunerado, seguindo a definição da Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas (UN Tourism).
Maioria das vítimas era mulher e de nacionalidade europeia
O perfil das pessoas turistas apoiadas pela APAV revela que a maioria das vítimas era do sexo feminino, representando 65,25% dos casos.
Quanto à nacionalidade, predominam as pessoas de origem europeia, que correspondem a 52,13% das vítimas acompanhadas pela Associação.
As faixas etárias mais representadas situam-se entre os 18 e os 34 anos e entre os 35 e os 64 anos, concentrando a maior parte das situações sinalizadas durante o período em análise.
Violência doméstica foi o crime mais frequente
No conjunto dos crimes e formas de violência registados, a violência doméstica surge como a principal tipologia identificada, correspondendo a 41,79% das situações acompanhadas pela APAV.
As estatísticas revelam ainda a existência de outros tipos de criminalidade, incluindo crimes sexuais, ofensas à integridade física, crimes patrimoniais e diferentes formas de violência.
Os dados indicam também que, em 65,96% das situações, foi apresentada queixa ou denúncia junto das autoridades competentes.
Apoio especializado independentemente da nacionalidade
A APAV destaca que os números agora divulgados reforçam a necessidade de garantir que todas as vítimas de crime tenham acesso a informação, proteção e apoio especializado, independentemente da sua nacionalidade ou do contexto em que ocorreu a vitimação.
A Associação sublinha que, quando um crime acontece durante uma deslocação, fatores como o desconhecimento do território, dos serviços existentes ou dos mecanismos legais disponíveis podem dificultar o acesso aos direitos das vítimas e aumentar o impacto da experiência traumática.
A APAV disponibiliza apoio jurídico, psicológico e social, de forma gratuita e confidencial, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006, disponível nos dias úteis entre as 8h00 e as 23h00, do Chatbot APAV, acessível permanentemente online, e da sua rede nacional de gabinetes e estruturas de proximidade.
Com a divulgação destas estatísticas, a Associação reforça a importância de uma resposta integrada às vítimas de crime, incluindo aquelas que se encontram temporariamente em Portugal em contexto turístico.



