O presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, aproveitou este sábado a abertura do 43.º Congresso Nacional do PSD, em Anadia, para defender a ação reformista do Governo, criticar a atuação das oposições e afastar qualquer cenário de instabilidade política, um dia após o chumbo parlamentar da proposta de revisão da legislação laboral.
Perante centenas de militantes reunidos no Velódromo de Sangalhos, Montenegro considerou que o país vive um momento de transformação e acusou os partidos da oposição de privilegiarem o confronto político em detrimento das reformas.
“As oposições vibram com a politiquice e destratam a mudança”, afirmou o líder social-democrata, numa referência direta ao desfecho da votação da reforma laboral, que acabou rejeitada na Assembleia da República com os votos contra do Chega e dos partidos de esquerda.
Na sua intervenção, o primeiro-ministro contrapôs a ação governativa ao que classificou como “ruído, ressentimento e imobilismo”, defendendo que o Executivo tem respondido aos desafios do país através do trabalho e da implementação de reformas.
“Este Portugal está a acontecer. Não vamos deixar o país igual ao que estava há dois anos”, declarou, sustentando que o Governo chegou ao congresso com “espírito de reformismo” e com o foco colocado no futuro.
Montenegro reservou ainda críticas ao Partido Socialista, acusando os socialistas de seguirem uma “estratégia política manhosa”, baseada, segundo disse, numa aparente disponibilidade para o diálogo que procura colocar a Aliança Democrática numa posição politicamente desconfortável.
O líder do PSD defendeu que os portugueses atribuíram ao Governo um mandato para governar em diálogo com as diferentes forças políticas, mas considerou que PS e Chega têm convergido com frequência para inviabilizar iniciativas do Executivo.
Ainda assim, reiterou o compromisso de não promover entendimentos permanentes entre os dois maiores partidos nacionais.
“O compromisso é não fazer um Bloco Central”, afirmou, procurando afastar especulações sobre uma eventual aproximação estratégica ao PS.
Durante o discurso, Montenegro abordou também o contexto internacional, classificando-o como “especialmente desafiante”. Referiu a guerra na Europa, a instabilidade no Médio Oriente, as pressões migratórias e as alterações climáticas como fatores que exigem respostas firmes por parte dos governos.
Apesar desse cenário, considerou que os desafios externos devem servir de incentivo à ação política e não de pretexto para a inação.
Antes da intervenção no congresso, à chegada ao recinto, o primeiro-ministro já tinha rejeitado a possibilidade de uma crise política decorrente do chumbo da reforma laboral.
Questionado pelos jornalistas sobre as consequências da derrota parlamentar sofrida pelo Governo, respondeu que existem análises políticas sem correspondência com a realidade.
“Os senhores têm sempre muitas razões para dissertar sobre muitas coisas que não têm nenhuma correspondência com a realidade”, afirmou.
Na reta final do discurso, Montenegro assumiu que o Governo não se considera “dono da verdade”, mas sublinhou que tem a responsabilidade de executar o programa mais votado pelos portugueses.
“Não sou de me intimidar”, declarou, garantindo que não cederá “a nenhum tipo de pressão” e reafirmando a determinação do Executivo em prosseguir o seu programa de governação.
O 43.º Congresso Nacional do PSD decorre durante o fim de semana em Anadia e surge num momento politicamente marcado pela rejeição da reforma laboral, um revés parlamentar que acabou por dominar o arranque da reunião magna dos sociais-democratas.



