O cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Braga, António Lima, defende a aposta no metro de superfície para melhorar a mobilidade na cidade e na ligação aos concelhos vizinhos, como Amares ou Vila Verde.
“Não é esta a cidade que queremos para os bracarenses. E temos alternativas, que não são nem utópicas nem novas, mas sim a aplicação dos melhores exemplos que vamos vendo em outras cidades. O Bloco sempre defendeu o metro de superfície para Braga, com ligação aos concelhos limítrofes, a começar por Amares e Vila Verde”, referiu o candidato, num debate promovido pelo Bloco de Esquerda, que decorreu na Avenida Central de Braga.
António Lima citou Lille, que “adotou com grande sucesso” o metro de superfície”, sublinhando que “a ideia de deixar o carro em casa até pode ser impopular à primeira”, mas forem criadas “alternativas atrativas as pessoas pouco a pouco assimilam o conceito e depois já não quererão voltar atrás”.
O candidato bloquista criticou novamente o projeto do BRT (metrobus). “Se voltássemos a fazer a muralha em Braga e impedíssemos os carros que vêm de fora de entrar, teríamos o problema da mobilidade automóvel resolvido, mas estas pessoas têm de vir para o seu trabalho ou para usufruir do hospital, por exemplo. E reparem, uma pessoa que vem de Vila Verde e vai para o hospital, como vai chegar ao BRT? É claro que tem de vir de carro”, apontou.
Já Alexandra Vieira, primeira candidata à Assembleia Municipal, trouxe outros exemplos, como os Países Baixos, onde uma grande parte das deslocações são feitas de bicicleta, ou Tóquio, que não tem estacionamento à superfície. “E os cidadãos vivem muito bem com isso”, vincou a candidata.
O debate contou igualmente com a participação de Pedro Pinheiro Augusto, engenheiro civil e especialista em mobilidade, para quem “o caso do automóvel em Braga confirma que as políticas públicas funcionam. Braga privilegiou o automóvel nas últimas décadas e o resultado está à vista: temos carros aos pontapés”.
Augusto encerrou com um apelo aos candidatos do Bloco de Esquerda: “Braga tem estado a pagar o desvario político da mobilidade com vidas, tanto as que se perdem como as que ficam condicionadas pela sinistralidade viária. Isto é inaceitável e temos que mudar esta visão.”



