O Bloco de Esquerda (BE) de Vila Verde juntou-se, esta terça-feira, às críticas sobre os problemas registados na recolha de lixo no concelho, considerando que a “incompetência do executivo camarário” gerou o “caos” no serviço.
Em comunicado, o partido afirma que, “com os munícipes a encontrarem um caos de lixo acumulado em muitos dos habituais pontos de recolha, criando sérios riscos para a saúde pública, resta uma clara perceção de incompetência”.
“O executivo municipal foi incompetente a justificar a sua opção política; incompetente a tratar da transição entre a anterior e atual empresa de recolha de resíduos, sem demonstrar a antecipação e planeamento que lhe são exigidos; e incompetente na transmissão de informação aos munícipes”, refere o BE, que garante que “continuará a utilizar o seu direito de oposição e a acompanhar a situação”.
No mesmo comunicado, a estrutura concelhia bloquista refere que, na Assembleia Municipal em que a nova concessão foi aprovada, “com o voto contra do deputado municipal do Bloco de Esquerda, o executivo não foi capaz de justificar com motivos financeiros a opção de voltar a atribuir ao setor privado a execução de tão importante serviço público”.
“Aliás, sem qualquer estudo que pudesse demonstrar algum benefício para o erário público dessa vontade, e na falta de outros argumentos para contrariar a municipalização desse serviço, o executivo camarário, através do vereador do Ambiente, defendeu o novo concurso dizendo que “se este serviço fosse incorporado pelo município, nos dias em que houvesse greve, o mesmo não se faria”, aponta.
Para o BE, esta “foi uma frase tristemente paradigmática por várias ordens de razão”. “Primeiro pela forma tão natural e serena como foi aceite por uma imensa maioria de deputados municipais, excetuando-se, de forma muito clara, a oposição do Bloco de Esquerda. Depois, pelo desconhecimento demonstrado sobre um direito que, mesmo estando consagrado na Constituição, não é absoluto e é articulado com a necessária proteção a serviços essenciais. Também pela visão que demonstra sobre os serviços públicos, pretendendo sempre torná-los lucro de alguns. E ainda pelo pensamento que desvenda sobre os trabalhadores do setor público, que a maioria PSD julga terem direitos a mais, incluindo o direito à greve; ou pela visão limitadora que tenta impor sobre os trabalhadores do setor privado, que o executivo acredita que não ousarão fazer greve”, enumera.
Segundo o Bloco de Esquerda, “o descarado ataque ao direito à greve presente nessa frase é tão paradigmático como a incompetência que a Câmara Municipal tem demonstrado nestas primeiras semanas de julho de 2025”.
“Na página eletrónica da Câmara Municipal encontram-se apenas duas notícias, de 03 e de 16 de julho. Em ambas, os munícipes encontram quase nenhuma informação sobre como gerir os seus resíduos, sendo essa competência de informar a população empurrada para as Juntas de Freguesia. Nestas, entre páginas eletrónicas e redes sociais, muito pouco ou nada é esclarecido”, adianta.
Por isso, o partido considera que, “perante este panorama, com os munícipes a encontrarem um caos de lixo acumulado em muitos dos habituais pontos de recolha, criando sérios riscos para a saúde pública, resta uma clara perceção de incompetência”.



