O Boavista vai encerrar a sua atividade, na sequência do incumprimento das obrigações financeiras assumidas perante os credores, anunciou esta quarta-feira a administradora de insolvência do clube, Maria Clarisse Barros.
A decisão surge depois de o clube não ter efetuado o depósito da verba necessária para suportar as despesas correntes relativas ao mês de junho, condição considerada indispensável para manter a atividade em funcionamento no âmbito do processo de insolvência.
Numa comunicação enviada aos intervenientes no processo, a administradora de insolvência informou que, “estando a ser integralmente incumpridos os pressupostos determinados na assembleia de credores para a manutenção em funcionamento da atividade da insolvente”, será executada a deliberação que determina “o encerramento do estabelecimento da insolvente e de todas as atividades desenvolvidas pelo Boavista no Estádio do Bessa e espaços adjacentes”, incluindo todas as modalidades desportivas.
Maria Clarisse Barros refere ainda que não foi depositado qualquer donativo destinado a assegurar as despesas da estrutura do clube durante o mês de junho, nem o montante necessário para cobrir o défice das modalidades.
A responsável acrescenta que não existe qualquer perspetiva de serem transferidas as verbas necessárias para fazer face aos encargos de junho e julho, salientando que as dívidas mensais se têm agravado devido à manutenção da atividade.
Na mesma comunicação, a administradora deixou uma mensagem de agradecimento a treinadores, dirigentes, colaboradores e atletas pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos, reconhecendo a dedicação demonstrada em prol da instituição.
O encerramento representa mais um capítulo da grave crise financeira que afeta o histórico clube portuense. Em setembro de 2025, os credores aprovaram a liquidação do Boavista, na sequência de um passivo superior a 150 milhões de euros. Três meses depois, foi alcançado um acordo que permitiu manter temporariamente a atividade, mediante o compromisso de assegurar o financiamento das despesas correntes.
Entretanto, o clube desistiu de competir nas provas da Associação de Futebol do Porto durante a época 2025/26, enquanto a Boavista SAD, impossibilitada de inscrever novos jogadores devido a sanções da FIFA e afetada por graves dificuldades financeiras, acabou despromovida administrativamente.
Nos últimos meses, vários imóveis pertencentes ao clube, incluindo o Estádio do Bessa e o complexo desportivo adjacente, foram colocados em leilão no âmbito do processo de insolvência. O tribunal rejeitou igualmente a impugnação apresentada pela direção do Boavista relativamente à venda do património, mantendo o processo de liquidação.
Fundado em 1903, o Boavista é um dos cinco clubes campeões nacionais de futebol em Portugal, tendo conquistado o título da I Liga na temporada 2000/01. O encerramento da atividade marca um dos momentos mais difíceis da história da centenária instituição.



