PAÍS –  Carla Cruz (PCP) apela ao Governo para inverter «situação gravosa» do sector têxtil

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Carla Cruz (PCP) apela ao Governo para inverter «situação gravosa» do sector têxtil

Carla Cruz alerta em requerimento ao Governo para a “situação gravosa” das empresas têxteis, sobretudo a Norte, onde “dezenas” de unidades estão em “situação iminente de encerrar”, enquanto outras tantas já encerraram as portas. A deputada comunista, eleita pelo círculo de Braga apela ao executivo de António Costa para que tome medidas para salvar o sector

A parlamentar comunista recupera os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) – que revelam “a indústria do vestuário conseguiu aumentar 4% a sua facturação em 2017. Nos primeiros 10 meses de 2018, na confecção de vestuário, as exportações portuguesas atingiram 268 milhões de euros por mês, o que equivale a um aumento de 1,6% em comparação com o mesmo período do ano passado”-, para denunciar que, no entanto, “os trabalhadores, aqueles que realmente produzem a riqueza, vêm sucessivamente adiados os aumentos reais de salários”.

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A parlamentar aponta os concelhos de Fafe, Guimarães e Vizela como sendo os mais afectados

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Outro dificulta da confecção, acrescenta Carla Cruz, “é a profunda dependência económica de um tecido empresarial composto maioritariamente por pequenas empresas, a trabalhar em regimes de subcontratação, sem qualquer regulamentação ou normas que protejam as empresas contratadas contra as arbitrariedades das contratantes, os grupos multinacionais, cuja quebra de encomendas vem provocar sérias dificuldades e ameaças a este sector”.

“As candidaturas aos apoios da União Europeia são outro aspecto crítico tendo em conta a elevada burocracia e morosidade dos processos que dificultam o acesso às empresas mais pequenas”, refere ainda Carla Cuz.

“O PCP considera indispensável assegurar horários dignos e revogar as normas que promovem a desregulação dos horários”, vinca a deputada comunista, defendendo que “o país não pode continuar a apostar num modelo de baixos salários e tem de elaborar um plano económico para o sector do vestuário que o liberte das arbitrariedades dos grandes grupos estrangeiros, que defenda os direitos laborais dos trabalhadores e que, para além disso, seja promovida uma aposta na diversificação do tecido industrial”.