A CDU de Vila Verde acusa a autarquia de sucessivo desinvestimento na Central de Camionagem, alertando para riscos de segurança e falta de condições de conforto para utentes e motoristas. Em declarações ao jornal O Vilaverdense, a estrutura local do partido defende uma intervenção estrutural urgente no equipamento.
A CDU de Vila Verde denunciou esta quinta-feira o que classifica como um “estado de degradação e abandono gritantes” da Central de Camionagem do concelho, considerando que a situação coloca em causa a segurança, a comodidade e o conforto de motoristas e utentes.
Em conferência de imprensa realizada no local, a coordenação local da CDU apontou diversos problemas estruturais, entre os quais a existência, desde a abertura da infraestrutura, de um quadro elétrico provisório, pisos e tetos degradados, floreiras transformadas em depósitos de lixo, casas de banho húmidas e com piso escorregadio, bem como o abandono das lojas afetadas por um incêndio ocorrido em março de 2025, sem qualquer intervenção de segurança.
Em declarações ao jornal O Vilaverdense, Rafael Lomba, da coordenação local da CDU, afirmou que o incêndio veio agravar uma situação já problemática. “Sabemos que o incêndio ocorrido aqui em março de 2025 agravou muito as condições já de si más, mas a raiz do problema da Central de Camionagem não foi o incêndio. Isto resulta de anos e anos de sucessivo desinvestimento e de falta de manutenção”, declarou.
Segundo o dirigente comunista, têm chegado à CDU vários testemunhos de trabalhadores, motoristas e utentes que descrevem uma realidade “insustentável”. Entre os exemplos referidos estão o interior da central “escuro, húmido e desconfortável”, tetos e paredes ainda queimados quase um ano após o incêndio, bem como o acesso livre às lojas incendiadas, “representando um risco de segurança para adultos e crianças”.
A CDU alerta também para problemas na zona das casas de banho, onde o teto apresenta fissuras, com risco de queda, e para sinais de degradação no exterior, como vasos sem plantas transformados em caixotes de lixo, relógios avariados e mangueiras de serviço inutilizadas. “Das quatro mangueiras existentes junto aos cais, apenas uma funciona e é preciso um alicate para ter acesso à água”, indicou Rafael Lomba, acrescentando ainda a preocupação com a manutenção de um quadro elétrico provisório “inexplicavelmente” desde a abertura da infraestrutura.
Outra reivindicação prende-se com o horário de funcionamento da central, com motoristas e utentes a exigirem a abertura aos sábados, domingos e feriados, pelo menos para garantir o acesso às instalações sanitárias.
A CDU já apresentou um conjunto de questões formais à Câmara Municipal de Vila Verde, questionando se o executivo tem consciência do estado atual do equipamento e se considera estarem reunidas as condições mínimas de segurança para o seu funcionamento. O partido quer ainda saber que obras estão previstas para este ano e que soluções imediatas serão adotadas para garantir “condições mínimas de segurança, conforto e dignidade”.
Para Rafael Lomba, a resposta não passa por pequenas intervenções. “É evidente que a solução para a Central não são obras de cosmética. É necessária uma intervenção profunda, estrutural, que dê a dignidade que um concelho como Vila Verde deve apresentar”, defendeu.
A CDU compromete-se a acompanhar o processo e a exigir “transparência e uma resposta concreta” por parte do executivo municipal, sublinhando que os vilaverdenses e os trabalhadores da Central “merecem equipamentos públicos funcionais, de qualidade e condições de trabalho dignas”.
























