OLEIROS (Vila Verde)

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Cláudia Alexandra desapareceu faz hoje 30 anos

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Completam-se hoje, 13 de maio, 30 anos do desaparecimento da Cláudia Alexandra Silva e Sousa (“Carricinha”), na altura (1994) com 7 anos de idade.

A partir desse dia, a localidade de Oleiros, em Vila Verde, nunca mais foi a mesma e, passadas três décadas, os portões da escola mantêm-se trancados, abrindo-se, apenas, para a entrada e saída dos alunos e do pessoal de serviço.

Ao mistério do desaparecimento junta-se agora o facto dos dados de identificação e da foto da Cláudia terem sido retirados da lista de pessoas desaparecidas da Polícia Judiciária (PJ), isto quando existem casos mais antigos que ainda por lá permanecem.

Como já aqui demos conta, as autoridades policiais, apesar da nossa insistência, não nos quiseram explicar a razão para tal ter acontecido. E a mãe da Cláudia, Maria de Jesus Alves da Silva, só soube dessa notícia pelo jornal “O Vilaverdense”.

«Nunca ninguém me disse nada», informou.

«Roubaram a criança à Maria»

Mais uma vez, fomos até Oleiros. Maria de Jesus, agora com 62 anos, como já é habitual, estava no tear, o seu “ganha pão” há 50 anos. Com ela encontrava-se a sua vizinha, Rosa de Carvalho Figueiredo.

Rosa, em declarações à nossa reportagem, para relatar este episódio, falou-nos do seu marido, António Barbosa Vieira, falecido há cerca de um ano.

«Na tarde daquele dia, por volta das 17h15, ele vinha da bouça. Trazia um foucinhão na mão e foi quando lhe apareceu à frente um carro, o qual parou para ele atravessar o caminho. Lá dentro seguiam dois homens. Um ia a conduzir e o outro, no banco de trás, levava uma criança a gritar. Só mais tarde, quando ouvimos dizer “roubaram a criança à Maria”, é que percebemos quem ia naquele automóvel», explicou.

Cláudia terá sido colocada no carro a cerca de 500 metros desse local

Quando Cláudia, naquela tarde de sexta-feira, dia 13, se dirigia para a escola (onde nunca chegou) – tinha vindo a casa, a mando da funcionária escolar, buscar sacos para o lixo (era um procedimento habitual, uma vez que a mãe, enquanto tecedeira, costumava (e continua) ter muitos sacos.

Rosa Cunha (Rosa “Peneda”), também já falecida, viu a miúda a passar a correr frente ao seu portão, atual rua de Santa Marinha. Depois, essa testemunha, disse ter ouvido as portas de um carro a bater, acreditando-se que terá sido aí que raptaram a criança.

Mistério nunca foi desvendado

Passados 30 anos, as esperanças de Maria de Jesus de encontrar a sua filha são cada vez menores.

«Com o desgosto, cheguei a pesar 29 quilos. Tinha dentro de mim o desgosto de não saber da minha filha e tinha, também, a tristeza de algumas pessoas nos terem acusado, a mim, ao meu falecido marido e à minha falecida mãe, de a termos vendido. Até a funcionária da escola sofreu na pele algumas acusações», recordou.

Interrogada sobre o trabalho levado a cabo pelas autoridades policiais, Maria de Jesus limitou-se a responder com um “revirar de olhos”.

Se for viva, a Cláudia tem agora 37 anos, completados no passado dia 13 de março.

Viva ou morta, seria um consolo para a mãe (e não só) saber onde ela se encontra.

Mas, o que se sabe sobre este crime sem deixar rastos, é que pouco ou nada se sabe do que foi feito á “Carricinha”, tendo isto deixado a população de Oleiros apreensiva.

Já sem ninguém a procurar e com as principais testemunhas falecidas, à nossa pergunta “ainda espera voltar a vê-la?”, Maria de Jesus começa por dar aos ombros.

«Irei morrer com esta dor no peito», dizia, ao finalizar a conversa connosco, aquela mãe que sabe o que é perder uma filha sem nunca ter sabido para onde a levaram, esperando, sem sucesso, por uma boa notícia há 30 anos.

O desaparecimento “Menina de Oleiros”, como também ficou conhecida, nascida numa sexta-feira, dia 13 (de março de 1987) e desaparecida noutra sexta-feira, dia 13 (de maio de 1994), continua envolta num grande mistério.

ovilaverdense@gmail.com

Por Emílio Costa (CO 1179)

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