O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou este sábado que o voto do Chega contra o pacote laboral do Governo representa “um dos momentos mais chocantes da política portuguesa”, num discurso marcado por fortes críticas ao partido liderado por André Ventura.
No 43.º Congresso do PSD, em Anadia, o governante considerou que a posição do Chega no parlamento teve impacto inesperado, afirmando mesmo que o voto do partido terá “feito chorar de alegria” o líder da CGTP, numa referência ao secretário-geral da central sindical, Tiago Oliveira.
A intervenção de Leitão Amaro surgiu na sequência da rejeição do pacote laboral na Assembleia da República, com o ministro a acusar o Chega de se ter alinhado com outras forças políticas para travar a proposta do Governo.
O governante dirigiu ainda críticas ao Partido Socialista, acusando-o de procurar “fazer sofrer o Governo” com problemas herdados de executivos anteriores, alertando contudo que “quem sofre são os portugueses”.
“As reformas demoram tempo e temos que ter resiliência para fazer chegar os resultados”, afirmou, sublinhando a necessidade de continuidade no processo reformista.
Num dos momentos mais contundentes do discurso, Leitão Amaro alertou também para a influência do Chega junto dos mais jovens, referindo-se a conteúdos nas redes sociais e acusando o partido de transmitir uma mensagem política enganadora. Defendeu ainda que a formação liderada por André Ventura se tornou “um travão ao progresso e um adversário da juventude”.
O ministro deixou igualmente um apelo à resistência política do Governo perante críticas e ataques, evocando antigos líderes sociais-democratas e sublinhando a tradição reformista do partido.
Na sua intervenção, Leitão Amaro abordou ainda a política de imigração, defendendo as opções do Governo e rejeitando acusações vindas de diferentes quadrantes políticos, afirmando que o executivo tem procurado uma abordagem de “moderação e unidade”.
Também presente no congresso, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, criticou o Chega, acusando o partido de se ter “encostado à esquerda e à extrema-esquerda” na rejeição da reforma laboral, considerando o episódio “triste” para o processo político.
No mesmo contexto, Moedas defendeu a atuação do Governo e afirmou que o país necessita de continuidade nas reformas estruturais.
O 43.º Congresso do PSD ficou ainda marcado pelo anúncio de novas lideranças internas, com a entrada de figuras como Sebastião Bugalho, Carlos Moedas e Pedro Duarte nas vice-presidências do partido, numa reorganização apresentada pelo líder social-democrata Luís Montenegro.



