O Povoado Fortificado da Cividade em Cossourado, no concelho de Paredes de Coura, volta a celebrar o Solstício de Verão esta sexta-feira e sábado, esperando-se que centenas de pessoas voltem a exaltar juntas a entrada num novo verão, assinalando o dia mais longo do ano.
O castro transforma-se em pista de dança, com a Foliada Gaiteira a trazer uma seleção de danças tradicionais portuguesas, ao som dos Gaiteiros de Bravães, até que à meia-noite do dia 20 de junho, o castro despede-se do velho com fogo, numa Cerimónia Esconjuro & Queimada que encerra o Solstício de Verão como manda a tradição: uma chama que purifica, liberta e abre caminho ao que está para vir.
É ás 21h11, de sábado, o sol chega ao seu ponto mais alto do ano e despedimo-nos dele com gratidão. A Cerimónia do Pôr do Sol reúne todos no castro num momento de pausa, presença e celebração coletiva dos ciclos da terra.
Com o avançar da noite, o fogo dá lugar ao Pro Amoris, uma performance imersiva que alia música, fogo e marionetas gigantes para narrar a lenda de uma ilha ancestral protegida por gigantes.
A música medieval pelos Sacarrabos, que juntamente com o grupo de danças Sellium, ambos de Tomar, levam as sonoridades únicas da gaita de foles, tarota, bouzouki, flauta, bateria e bombo, mas também os galegos Xógara, que regressam com um repertório de duas décadas de música tradicional de gaita.
Ou a música condimentada com fogo e marionetas gigantes pelos Saltarellus e A Rua’Da, ou até o Ouriço Gateiro e os Gaiteiros de Bravães, de Ponte da Barca, que prometem a Foliada Gaiteira, aberta a quem queira dançar ou juntar a sua gaita ao convívio, são alguns dos muitos motivos que ilustram o Solstício de Verão na Cividade de Cossourado.
Ainda antes da música, o arqueólogo Diogo Amaro conduz uma visita guiada ao Povoado Fortificado da Cividade, num percurso por entre estruturas com mais de dois mil anos, onde a história da cultura castreja do Alto Minho ganha voz e presença.
OFICINAS
Há também oficinas como a Sidra Faca nos Dentes, numa conversa com Pedro Paiva sobre esta sidra artesanal de baixa intervenção — fermentada espontaneamente, sem açúcar nem leveduras industriais, que reflete diretamente a fruta, o território e o carácter vivo da paisagem minhota.
Já Zuca Truca, por Rafael Freitas e Mariana Campos, promove uma oficina de construção de flautas, apitos, ocarinas e chamariz a partir de canas, bugalhos, bolotas, loureiro e outros materiais naturais.
Já artista plástica Margareth orienta uma oficina de olaria manual, a Arte do Barro, numa oportunidade para os participantes descobrirem e experimentarem algumas das técnicas utilizadas pelos antepassados para criar os seus próprios recipientes e utensílios do quotidiano.
A lã volta a ter voz pela Mão Fiadeira, uma encenação de Isabel Seda e Diogo Quaresma, que evoca a arte ancestral de transformar a lã num novelo fiado à mão, enquanto Rafael Freitas e Mariana Campos convidam a descobrir a gaita de fole minhota, instrumento que durante séculos animou as festas do Alto Minho e que esteve perto de desaparecer.



