Os problemas registados na correção digital dos exames nacionais poderão ter impacto não apenas no calendário escolar, mas também no período de férias dos professores classificadores. Face aos atrasos no processo e ao adiamento da segunda fase dos exames, algumas escolas estão a avaliar a possibilidade de solicitar aos docentes que alterem férias já aprovadas para assegurar a classificação das provas.
Segundo o Expresso, várias direções escolares contactaram professores classificadores para aferir a disponibilidade para adiar os períodos de descanso, numa altura em que persistem dificuldades técnicas na plataforma utilizada para a correção dos exames.
A situação está a suscitar preocupações entre os sindicatos. A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) defende que as escolas não devem tomar decisões sem orientações claras do Ministério da Educação.
O secretário-geral da Fenprof, José Feliciano Costa, considera essencial que o Governo esclareça os procedimentos a adotar, evitando soluções distintas entre estabelecimentos de ensino.
Alteração de férias pode implicar compensações
O movimento Missão Escola Pública alerta que a legislação permite a interrupção ou alteração das férias dos trabalhadores em situações de necessidade imperiosa do serviço, mas lembra que essa decisão poderá implicar compensações financeiras.
A porta-voz do movimento, Cristina Mota, recomenda que os professores não aceitem alterar voluntariamente os seus períodos de descanso, defendendo que qualquer mudança deverá resultar de uma determinação formal da direção da escola.
Caso o empregador altere férias já aprovadas, os docentes poderão ter direito a ser indemnizados pelas despesas entretanto assumidas, nomeadamente com viagens, alojamento ou outras reservas efetuadas para esse período.
Empresa rejeita responsabilidades
Entretanto, a Blat, empresa responsável pelo desenvolvimento da plataforma utilizada na classificação digital das provas, rejeitou qualquer responsabilidade pelos constrangimentos registados.
Em resposta enviada à SIC, a empresa esclarece que a plataforma foi desenvolvida para o IAVE/EduQA e que a sua função consiste em receber os ficheiros das provas, distribuí-los pelos classificadores e registar as classificações introduzidas pelos utilizadores.
A Blat sustenta que não é responsável pela digitalização dos exames, pelo controlo de qualidade dos ficheiros, pela gestão dos utilizadores, nem pela definição das provas a classificar ou da sua distribuição, assegurando que apenas disponibiliza os exames quando tal lhe é indicado pela entidade competente.
Processo continua sob pressão
A polémica em torno da correção digital dos exames nacionais mantém-se, numa altura em que o Ministério da Educação procura garantir a divulgação das classificações dentro dos prazos previstos.
Os sucessivos problemas técnicos, associados às dificuldades de acesso e distribuição das provas, continuam a gerar contestação entre professores e sindicatos, aumentando a pressão sobre o Governo para encontrar soluções que assegurem o normal funcionamento do processo sem comprometer os direitos dos docentes.



