A Polícia Judiciária deteve esta semana dez pessoas, entre as quais vários administradores judiciais com ligações profissionais ao advogado Paulo Topa, no âmbito de um inquérito criminal relacionado com alegadas irregularidades na gestão de processos de insolvência.
Segundo fonte ligada ao processo, os mandados de detenção foram emitidos na sequência da investigação iniciada após a divulgação, em dezembro, de uma reportagem do programa Investigação SIC, que revelou suspeitas sobre os negócios desenvolvidos por Paulo Topa e o eventual favorecimento de determinadas empresas em processos judiciais.
O advogado encontra-se em prisão preventiva desde então, por decisão judicial, estando indiciado por vários crimes, entre os quais burla qualificada, falsificação de documentos e associação criminosa, relacionados com a alegada manipulação de processos de insolvência para benefício próprio e de terceiros.
De acordo com a mesma fonte, os detidos agora pela PJ são maioritariamente administradores judiciais que terão colaborado, de forma direta ou indireta, no esquema investigado, sendo suspeitos de participação ativa em práticas lesivas para credores e para o regular funcionamento da Justiça.
As detenções ocorreram no âmbito de buscas realizadas em escritórios, residências e instalações empresariais em diferentes pontos do país, tendo sido apreendida documentação, material informático e diverso património considerado relevante para a investigação.
Os suspeitos vão ser presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação de eventuais medidas de coação. O processo continua em segredo de justiça.
A Polícia Judiciária sublinha que a operação visa “o combate à criminalidade económico-financeira complexa” e resulta de vários meses de recolha de prova, cruzamento de dados bancários e análise de processos judiciais.



