O Presidente da República, António José Seguro, defendeu esta terça-feira uma “relação de equilíbrio e reciprocidade” com os aliados internacionais, sublinhando que Portugal deve manter a sua liberdade de decisão e responsabilidade estratégica, sem abdicar dos seus compromissos internacionais.
No primeiro discurso das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, proferido em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, o chefe de Estado apelou ainda à “coragem para fazer escolhas difíceis, sem ceder ao populismo”, num momento que classificou como exigente para as democracias contemporâneas.
Seguro destacou que a segurança dos países europeus só é possível em articulação com os aliados, mas insistiu que essa cooperação deve assentar numa lógica de respeito mútuo, soberania dos Estados e valores fundamentais como a paz, a liberdade, os direitos humanos e o multilateralismo.
“A garantia da segurança dos países europeus só é possível em articulação com os nossos aliados, numa relação de equilíbrio e reciprocidade”, afirmou, sublinhando que a autonomia estratégica europeia não é incompatível com a defesa transatlântica, mas antes o seu complemento.
“Liberdade de decisão e responsabilidade”
Ao abordar o posicionamento de Portugal no contexto internacional, o Presidente da República frisou que a autonomia estratégica europeia não deve ser confundida com isolamento, mas sim entendida como “liberdade de decisão e responsabilidade”.
Nesse sentido, defendeu o reforço das relações bilaterais e internacionais, com base no equilíbrio e no respeito mútuo, destacando a importância de Portugal afirmar os seus interesses no quadro da comunidade internacional e da Carta das Nações Unidas.
Apelo à confiança e combate à polarização
Na parte final da intervenção, António José Seguro apelou à confiança dos portugueses no futuro do país, lembrando que a história nacional é feita de conquistas e dificuldades.
“Os portugueses são herdeiros de uma memória longa, de conquistas e fracassos, de grandeza e fragilidades”, afirmou, defendendo uma “esperança com determinação”, capaz de moldar o futuro através de decisões políticas responsáveis.
O chefe de Estado alertou ainda para a necessidade de combater a polarização política e social, sublinhando que a esperança deve ser uma ferramenta de união e não de divisão.
“A esperança é uma das palavras que combatem a polarização e que celebra um novo tempo que há-de vir”, referiu, apelando ao reforço da confiança nacional e da capacidade de inovação e criação.
Autonomias e identidade nacional
No discurso, o Presidente da República destacou também o papel das regiões autónomas na construção do país, considerando que “Portugal é maior quando é plural” e que a unidade nacional não se constrói pela uniformidade, mas pelo reconhecimento das diferenças.
Seguro lembrou que a autonomia regional contribuiu para fortalecer o país, permitindo políticas adaptadas às realidades locais, embora tenha alertado para a persistência de assimetrias e para o impacto do custo da insularidade.
Ao escolher os Açores como palco das comemorações oficiais, o chefe de Estado sublinhou a importância estratégica do arquipélago, situado no coração do Atlântico, entre a Europa e o continente americano.
“O mar ensinou-nos a partir, mas também a regressar”, afirmou, evocando a identidade marítima portuguesa e a sua influência na formação da “alma coletiva” do país.
Primeiro 10 de Junho do mandato
Esta foi a primeira intervenção de António José Seguro enquanto Presidente da República nas comemorações do 10 de Junho, data que assinala o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, num contexto de celebrações centradas na ilha Terceira e na diáspora portuguesa.



