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Escola em Ponte da Barca arranca primeiro curso do país que ensina a ser “bom gaiteiro”

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O grupo ‘Gaiteiros da Bravães’ iniciou este mês o “primeiro curso a nível nacional” para formar 20 “bons gaiteiros”, ensinando a construir e a tocar a gaita de foles típica daquela aldeia do concelho de Ponte da Barca.

“É o primeiro curso no país em que, simultaneamente, os alunos aprendem a construir o instrumento e a tocá-lo”, explicou esta segunda-feira, da direcção do grupo Gaiteiros de Bravães.

Rafael Freitas, que é também um dos 20 alunos do curso que se prolonga até Fevereiro de 2022, referiu à agência Lusa que “um bom gaiteiro tem de saber construir a gaita de foles de Bravães por ser “um instrumento melindroso, que precisa de muita afinação”.

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Os instrumentos construídos pelos alunos são réplicas de uma gaita produzida, em 1950, por um construtor da freguesia, Emílio de Araújo.

O instrumento original integra o espólio do Museu de Etnologia de Lisboa e está documentado nas recolhas do etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira, entre anos de 60 e 63.

“É necessário dominar os princípios da construção do instrumento e da sua manipulação para conseguir estar à vontade com ele”, explicou.

Em 2020, o grupo retomou o fabrico artesanal do instrumento para não deixar cair no esquecimento um ofício desenvolvido há meio século naquela aldeia de Ponte da Barca.

A aposta agora, adiantou Rafael Freitas, é passar o conhecimento, ensinando a construir e a tocar aquele instrumento tradicional.

“A nível do Minho e Alto Minho faltava uma escola de referência nesta área. Existe alguma formação, mas mais dirigida para a gaita galega. A nível nacional há escolas no Douro, Trás-os-Montes, Coimbra, mas nesta região não existia e o Grupo de Gaiteiros de Bravães está a assumir-se como defensor do património da gaita minhota, promovendo esta formação”, adiantou.

Inicialmente, as gaitas eram construídas em madeira de buxo, espécie entretanto declarada protegida. Actualmente, a madeira de oliveira e cerejeira passaram a ser uma alternativa ambientalmente sustentável e de muito mais fácil acesso.

ALUNOS DE TODAS AS IDADES

Já o fole das gaitas era feito normalmente com pele de cabrito, material substituído pelo Gore-Tex.

O intérprete de música tradicional portuguesa e cantador ao desafio Augusto Oliveira Gonçalves, o músico Chico Malheiro, e o escritor e encenador Jaime Ferreri estão entre os 20 alunos do curso onde participam ainda pessoas de todas as idades e profissões, desde “jovens a bisavós”.

Nas aulas, que decorrem na antiga escola primária de Bravães, entretanto desactivada e transformada em sede de associações locais, os alunos “aprendem toda a parte construtiva da gaita de foles de Bravães, a sua manutenção para poderem melhorar a técnica da ‘performance’”, referiu.

Para além de reactivar o fabrico, os Gaiteiros de Bravães querem continuar a sensibilizar e formar novos tocadores de gaita e outros instrumentos musicais tradicionais, como as percussões e os cordofones, contribuindo para a manutenção da diversidade das tradições musicais locais.

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