Um estudo pioneiro coordenado pela investigadora Nicoletta Mandolini, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho, concluiu que a banda desenhada e as novelas gráficas podem constituir ferramentas eficazes na prevenção e sensibilização para a violência de género, sobretudo entre os jovens.
O projeto GENTEEL, financiado desde 2024 pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), procurou avaliar o impacto destas narrativas junto de adolescentes portugueses, desenvolvendo metodologias e recursos educativos destinados às escolas secundárias e à comunidade em geral.
De acordo com a equipa de investigação, o estudo partiu da crescente relevância que a banda desenhada tem vindo a assumir em Portugal, integrando atualmente o Plano Nacional de Leitura e abordando, em muitas obras, questões relacionadas com a discriminação e a igualdade de género.
Entre as publicações analisadas encontram-se títulos como Manda Mensagem Quando Chegares (RGB), Boy Dodói, de Bebel Abreu, Helô D’Angelo e Carol Ito, e Filosofia do Mamilo, de Kael Vitorelo.
“Este projeto percorreu algumas localidades do Norte de Portugal, promovendo a reflexão, a educação e a cidadania com abordagens inovadoras de comunicação e literacia visual”, afirmou Nicoletta Mandolini durante a sessão de encerramento do projeto, realizada na Universidade do Minho, em Braga.
O evento marcou também o lançamento do Graphic Handbook, da autoria de Marco D’Alessandro e Antonio Mirizzi, uma publicação que reúne boas práticas para a utilização de novelas gráficas como instrumento de sensibilização para a violência de género.
A sessão contou ainda com intervenções de especialistas e autores da área, entre os quais Natália Ricardo, do Plano Nacional de Leitura, Marta Calejo, da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, Dani Marino, da Universidade de São Paulo, e as autoras Amanda Miranda e Bebel Abreu.
Segundo os investigadores, a necessidade de reforçar ações de prevenção mantém-se particularmente relevante. Estima-se que a violência de género represente um custo anual de cerca de 8,4 milhões de euros para o Estado português, o que reforça a importância de estratégias educativas que promovam a igualdade e previnam comportamentos discriminatórios desde a adolescência.
Além de Nicoletta Mandolini, integraram a equipa do projeto Cristina Álvares, do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, Ece Canli e Alice Balbé, do CECS, e Daniel Cardoso, da Universidade Lusófona.
Especialista em estudos sobre violência de género, Nicoletta Mandolini é autora e coautora de várias obras internacionais dedicadas ao tema, destacando-se Representations of Lethal Gender-Based Violence in Italy between Journalism and Literature. Femminicidio Narratives e Representing Gender-Based Violence. Global Perspectives, sendo igualmente cofundadora do grupo internacional de investigação sobre banda desenhada italiana Studying’n’Investigating Fumetti (SnIF).




