Os exames nacionais arrancam esta terça-feira em todo o país, mobilizando milhares de alunos, professores e profissionais do setor da educação numa das mais exigentes operações do calendário escolar. Apesar da dimensão logística envolvida, os diretores escolares asseguram que os estabelecimentos de ensino estão preparados para garantir que as provas decorram com normalidade, apontando agora atenções para a principal novidade deste ano: a generalização da correção digital dos exames.
Em declarações exclusivas à Executive Digest, o presidente da direção da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, transmitiu confiança quanto à capacidade das escolas para assegurar o regular funcionamento da época de exames.
“Está tudo preparado porque os exames do ensino secundário e as provas finais de 9.º ano são muito idênticas. A logística é muito idêntica à dos anos anteriores”, afirmou.
Segundo o responsável, os agrupamentos dedicaram os últimos meses à preparação dos meios técnicos e humanos necessários para esta fase decisiva do ano letivo. Entre as medidas implementadas contam-se a verificação dos equipamentos informáticos, a organização dos secretariados de exames e a nomeação dos professores responsáveis pela vigilância das provas.
“A escola preparou, de facto, o digital, os computadores, nomeou muitos professores para vigilância, fez um secretariado, como é normal”, explicou.
Para Filinto Lima, estão reunidas as condições para que os estudantes possam concentrar-se exclusivamente na realização dos exames. “Tudo leva a crer que as condições necessárias para os alunos fazerem a prova com tranquilidade estão observadas”, sublinhou, deixando também um apelo aos alunos para demonstrarem o trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo. “É preciso que os nossos alunos deem o litro e demonstrem, de facto, as aprendizagens que aconteceram durante este ano.”
A confiança manifestada pelos diretores escolares assenta igualmente na experiência acumulada com processos de digitalização implementados nos últimos anos. O dirigente da ANDAEP destaca os resultados dos testes de ensaio realizados recentemente nas escolas como um sinal positivo para o arranque da época de exames.
“Se nós pensamos que as provas-modo que decorreram na semana passada correram bem, e correram bastante bem, e também que temos já um histórico neste tipo de provas com recurso ao digital, tudo leva a crer que estamos num bom caminho e que as coisas irão correr da melhor forma”, afirmou.
Ainda assim, admite que o recurso à tecnologia nunca elimina por completo a possibilidade de constrangimentos. “Poderá haver um outro percalço, admito perfeitamente. O digital, por vezes, prega-nos partidas”, reconheceu. Apesar disso, considera que a esmagadora maioria dos estabelecimentos de ensino dispõe dos meios necessários para responder a eventuais problemas técnicos.
Se a organização das provas segue um modelo semelhante ao dos anos anteriores, o mesmo não acontece na fase de classificação. A principal inovação desta época de exames será a adoção generalizada da correção digital, depois de uma experiência-piloto realizada em 2025 com a prova de Filosofia do 12.º ano.
“Aqui a grande alteração vai ser, de facto, em relação ao modo como as provas vão ser corrigidas”, salientou Filinto Lima.
O responsável recorda que o projeto-piloto decorreu sem incidentes relevantes, embora tenha abrangido um universo reduzido de exames. “O ano passado tivemos, de facto, um treino nesse aspeto, que foi na prova de Filosofia do 12.º ano, que decorreu bem, embora fossem poucas provas.”
Este ano, porém, a escala da operação será significativamente superior. “Agora vamos ter milhares e milhares de provas neste momento”, alertou.
Apesar do aumento exponencial do volume de exames a processar, Filinto Lima mantém uma perspetiva cautelosamente otimista. “Tendo em conta o decurso do ano passado da prova de Filosofia, que também foi feita em papel, mas cuja correção foi feita pela via digital, parece-me que as coisas poderão correr bem.”
O dirigente sublinha, contudo, que a dimensão da operação exige prudência antes de serem retiradas conclusões. O processo envolverá não apenas escolas e professores, mas também forças de segurança, plataformas digitais e infraestruturas tecnológicas espalhadas por todo o território nacional.
“É uma grande empreitada. É um serviço que vai envolver muitos agentes de segurança, PSP, GNR, vai envolver também os meios digitais, a internet, os computadores das escolas e dos professores”, explicou.
A transição para o novo modelo representa uma mudança significativa na forma como os exames são avaliados, reduzindo a dependência dos processos tradicionais em papel. “A correção vai ser feita, de facto, no digital e não em papel de esferográfica”, observou.
Ainda assim, o presidente da ANDAEP considera prematuro avaliar o sucesso da medida antes da conclusão de todo o processo. “Eu quero que tudo corra bem, mas neste particular acho que devemos esperar pelo final destes exames e perceber de facto como correu o decurso da correção das provas.”
Para já, a mensagem transmitida pelos diretores escolares é de confiança moderada. As escolas garantem estar preparadas para receber os alunos e assegurar o normal funcionamento dos exames nacionais. No entanto, o verdadeiro teste ao novo modelo de correção digital só será conhecido nas próximas semanas, quando milhares de provas forem processadas através de um sistema que promete modernizar a avaliação, mas que ainda terá de demonstrar a sua robustez à escala nacional.



