Por Salvador de Sousa
Sinto uma alegria imensa ter escrito cento e quatro crónicas sobre a devoção de Nossa Senhora ao longo da história, durante os últimos anos, neste prestigiado jornal “O Vilaverdense”.
O título principal que foi dado às minhas crónicas “Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais” é, por si, abrangente, porque o Mistério de Fátima antes de se mostrar em tantas exteriorizações, que há tantos anos se impõem aos nossos olhos, já estavam no plano de Deus por tantas revelações que foram acontecendo nas redondezas da Cova da Iria.
Começo por dar como exemplo a passagem das tropas, comandadas pelo Santo Condestável, pelo local das aparições quando se preparavam para a Batalha de Aljubarrota, dizendo-se que o nosso herói, D. Nuno Álvares Pereira, parou para rezar no local que, muito mais tarde, se tornou o “Altar do Mundo.” Várias locais à volta se tornaram pontos de devoção a Maria, como é o caso de Nossa Senhora de Nazaré, onde muitos descobridores vieram, com grande devoção, agradecer os seus feitos. A aparição da Virgem, no século XVIII, a uma pastorinha muda no lugar da Ortiga, freguesia de Fátima, onde se construiu o Santuário de Nossa Senhora da Ortiga que começou a ter uma grande afluência de fiéis.
O que se passou à volta da Cova da Iria, revelações da Virgem Maria, acentuou-se sempre, desde os primeiros séculos do Cristianismo, nas terras de Santa Maria, para não falar em tantos outros locais do mundo. A devoção a Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães, que remonta ao século X, foi outro exemplo, tendo como origem o mosteiro dedicado ao Salvador do Mundo, à Virgem Santa Maria e aos Apóstolos fundado pela Condessa Mumadona Dias no ano 949 e que, para defender o templo, foi construída uma fortificação, pouco restando dessa construção original, que antecedeu o Castelo de Guimarães.
Por todo o país e por todas as terras por onde os portugueses passavam a devoção a Maria era visível com monumentos marianos e tantos gestos de fé. Nossa Senhora foi-se revelando com aparições e tantas outras ações divinizadas, fontes que têm brotado, ao longo de tantas gerações, e gerado um mar de afetos, de devoção e de fé que se enraizaram tão profundamente e se multiplicaram no decorrer dos tempos.
Fátima foi o local da terra de Santa Maria escolhido pela Mãe de Deus para ser o Altar do Mundo, um reconhecimento e um ponto onde Nossa Senhora quis mostrar o Seu reconhecimento pela entrega e pela doação maternal dos nossos antepassados: os navegadores que evangelizaram o mundo, os missionários que, por terras distantes, levaram o nome de Deus e de Maria; os nossos literatos, incluindo Camões que dedicou inúmeros textos à sua “mística flor”. O mundo foi o altar de Portugal que semeou e levou a todos os Continentes os valores do Cristianismo, tendo sempre Maria ao seu lado, sendo Fátima, agora, o altar de todos esses povos que receberam o alimento que fez germinar todo esse colossal movimento mariano.
Agradeço ao Diário do Minho e O Vilaverdense toda a amabilidade de acolher e publicar as minhas crónicas sobre a “Mãe do Salvador” que tanto amo e tanta fé n’Ela deposito. Agradeço, de uma forma muito sentimental, ao meu falecido tio e padrinho, Padre Salvador de Sousa, que me ofereceu, ainda em vida, a grande obra “Fátima Altar do Mundo” que, ao lê-la, me inspirou para que partilhasse a minha leitura com os leitores deste meu honroso jornal, passando a ser a base e a orientação das minhas 104 crónicas sobre a devoção a Nossa Senhora ao longo dos tempos. É evidente que fui recorrendo a outras fontes que serviram de complemento e de desenvolvimento de alguns assuntos.
Tenciono reunir todas as crónicas num livro, que já está a ser feito e que irá ser apresentado dentro de pouco tempo na minha terra de Vilarinho, em Vila Verde, para que os leitores possam ler toda a história da devoção de Nossa Senhora, praticamente, desde o princípio da cristandade até ao mistério de Fátima.
Vou, se o Diário do Minho e O Vilaverdense assim o permitirem e se Deus quiser, continuar a escrever outros temas que forem surgindo, constituindo autênticos desabafos e revelações que me tornam feliz, satisfeito por partilhar algumas ideias e pensamentos com os prezados leitores deste jornal.



