OPINIÃO - Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (37). Os lugares e as pessoas são as verdadeiras fontes da verdade

OPINIÃO -
Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (37). Os lugares e as pessoas são as verdadeiras fontes da verdade

O Cónego José Galamba de Oliveira, contemporâneo das aparições e, como já referi, um fidedigno estudioso, pois contactou, vivenciou e acompanhou de perto estas realidades, relata-nos, na obra que estou a ler, as três visões do Anjo e toda a história das Aparições de Nossa Senhora.

Vou começar por apresentar algumas passagens das narrações das visões do Anjo que a Irmã Lúcia faz e que, providencialmente, os pastorinhos guardaram segredo, ao invés do que, mais tarde, na 1ª Aparição de Nossa Senhora (13 de Maio de 1917), aconteceu, tendo a Jacinta não conseguido esconder as maravilhas que tinha presenciado. Refere então a Lúcia respeitante à primeira aparição na “Loca” ou “Lapa” do Cabeço, na primavera de 1916 (antes houve outras visões do Anjo referidas anteriormente): «Começamos a ver a alguma distância, sobre as árvores … uma luz mais branca que a neve, com a forma dum jovem transparente… À medida que se aproximava íamos-lhe distinguindo as feições… Ao chegar junto de nós, disse:

– Não temais. Sou o Anjo da paz. Orai comigo. E ajoelhando na terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitámo-lo e repetimos as palavras que lhes ouvimos pronunciar: “Meu Deus, eu creio, adoro…” Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse: “Orai assim. Os corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.”

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E desapareceu. A atmosfera de sobrenatural que nos envolveu era tão intensa que quase não nos dávamos conta da própria existência… A presença de Deus sentia-se tão forte e tão íntima que nem entre nós nos atrevíamos a falar… Nesta aparição, nenhum pensou em falar nem em recomendar o segredo. Ela de si o impôs…»

…Em agosto, à hora da sesta, no pico do calor, surgiu novamente o Anjo e ninguém, como a Lúcia, nos pode contar melhor o que aconteceu: «De repente, vimos o mesmo Anjo junto de nós.

-Que fazeis? Orai! Orai Muito…. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.

– Como nos havemos de sacrificar? – perguntei.

– De tudo o que puderdes…  Atraí assim sobre a vossa pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai o sofrimento que o Senhor vos enviar.

Estas palavras do Anjo gravaram-se em nosso espírito, como uma luz que nos fazia compreender quem era Deus, como nos amava e queria ser amado, o valor do sacrifício… Por isso, desde esse momento, começamos a oferecer ao Senhor tudo o que nos mortificava, mas sem discorrermos a encontrar outras mortificações ou penitências, exceto a de passarmos horas seguidas prostrados por terra, repetindo a oração que o Anjo nos tinha ensinado.»

A terceira, última aparição, devia ter sido no final de setembro ou em outubro de 1916. … apareceu novamente o Anjo com um Cálice na mão encimado por uma Hóstia da qual caíam dentro do Cálice algumas gotas de Sangue. Reflitamos, agora, nas palavras da Irmã Lúcia: «Deixando o Cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração: “Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente…” Depois levantando-se , tomou de novo o Cálice e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o Cálice deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo ao mesmo tempo: “Tomai e bebei o Corpo e Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus…”

A força da presença de Deus era tão intensa que nos absorvia e aniquilava por completo… Nesses dias, fazíamos as ações materiais como que levados por esse mesmo ser sobrenatural que a isso nos impelia. A paz e a felicidade que sentíamos era grande, mas só íntima…

Não sei porquê, as aparições de Nossa Senhora produziam em nós efeitos bem diferentes. A mesma alegria íntima, a mesma paz e felicidade, mas, em vez desse abatimento físico, uma certa habilidade expansiva… em vez dessa dificuldade no falar, um certo entusiasmo comunicativo. Mas apesar desses sentimentos, sentia a inspiração íntima que me indicava as respostas…»