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Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (51)

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Por Salvador de Sousa

D. Frei Francisco Rendeiro, bispo do Algarve (1955-1966, posteriormente, bispo de Coimbra) escreve um capítulo, na obra que estou a ler (editada em 1955), sobre a consagração pela Igreja do culto de Nossa Senhora da Cova da Iria, relatando-nos a atitude da Igreja perante os acontecimentos extraordinários de Fátima. Como já escrevi, a atitude inicial da Igreja foi de um forte distanciamento. O pároco de Fátima, P. Manuel Marques Ferreira, foi o primeiro clérigo a saber, quinze dias após o que tinha acontecido no dia 13 de Maio de 1917.

Só perante a Aparição de Outubro, em que aconteceu tudo o que os pastorinhos tinham anunciado, é que o pároco, dois dias depois, dá a conhecer ao seu Prelado o que se estava a passar em Fátima que, na altura, pertencia à Sé Patriarcal de Lisboa. O Patriarca, D. António Mendes Belo, estava exilado por questões políticas, estando a ser substituído pelo Arcebispo de Mitilene (título eclesiástico), D. João Evangelista de Lima Vidal, Bispo de Aveiro, sendo este a receber a carta que vou aqui publicar na íntegra:

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«Em cumprimento dum dever cuja satisfação julgo nesta hora oportuna, venho comunicar a V. Ex.a Reverendíssima, para os devidos efeitos, que esta freguesia tem sido desde Maio a esta parte teatro de admiráveis acontecimentos. Em todos os dias 13 de cada mês três crianças desta freguesia dizem ver Nossa Senhora. Tenho interrogado todos os meses uma das crianças que diz ver, ouvido e falar com Nossa Senhora.

Tem afluído ao local grande número de pessoas, sendo o cálculo do passado dia 13 do corrente mês de quarenta a cinquenta mil pessoas; destas milhares de todas as idades, estados e condições, dão fé de fenómenos extraordinários, além do que a criança, que acabo de interrogar, diz que a visão lhe dissera. Tenho mantido o silêncio que a prudência me tem aconselhado.

Não tenho dado parte ao Ex.mo Prelado há mais tempo porque esperava, no dizer das crianças, a última aparição que foi 13 próximo passado. Julgo de máxima necessidade a nomeação de uma comissão para a averiguação do que há. Têm afluído ao local, quase em todos os momentos, fiéis a implorar a misericórdia da Virgem.

Em virtude do que imploro de V. Ex.a Rev.ma urgentes e acertados conselhos para o governo desta freguesia. Deus guarde V. Ex.a Rev.ma, Paroquial de Fátima, 15 de Outubro de 1917.»

Tudo leva a crer que o patriarcado de Lisboa já tivesse conhecimento de tudo o que a carta referiu, mas, por escrito, este foi o primeiro documento enviado.

No dia 19 de outubro, o Arcipreste de Ourém recebe um comunicado oficial do Patriarcado para que procedesse à investigação de tudo o que aconteceu, sobretudo do dia 13 de Outubro de 1917, sendo a mesma ordem emanada aos párocos de Porto de Mós e de Fátima.

Em 18 de abril de 1919, o Padre Manuel Marques Ferreira, pároco de Fátima, querendo averiguar melhor e juntar todos os interrogatórios que foi fazendo aos pastorinhos, familiares e amigos ao longo do tempo, envia para o Prelado um documento precioso, bem fundamentado, contendo, ainda 4 testemunhos de pessoas que assistiram a todas as aparições, afirmando, sob juramento, tudo o que observaram, incluindo os sinais extraordinários do sol.

O pároco de Porto de Mós, nomeou, logo a 25 de outubro de 1917, um sacerdote vizinho, P. João Gomes Menitra, secretário para compilar as declarações de 16 testemunhas “que confirmaram as respostas com juramento sobre os Santos Evangelhos,” dizendo todas, no geral, a mesma coisa. É de frisar que, até essa altura, os sacerdotes da Diocese eram proibidos de fazer parte de qualquer manifestação religiosa relativamente a Fátima.

O estudo canónico demorou bastante a realizar-se por causa da restauração da Diocese de Leiria em 17 de janeiro de 1918 onde Fátima ficou integrada. O novo bispo, a quem incumbia analisar o caso, D. José Alves Correia da Silva, foi nomeado a 15 de maio de 1920, mas só a 3 de maio de 1922 é que publicou uma Provisão da nomeação de uma comissão responsável para o estudo em questão.

Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História…

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