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Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (87). A Imagem Peregrina visitou Cabo Verde e Guiné

  • Texto de Salvador de Sousa

O Cónego Carlos Duarte Gonçalves de Azevedo, administrador e investigador, nascido no dia 28 de setembro de 1910, em Parada de Tibães e, aqui, falecido no dia 4 de maio de 1986, continua-nos a relatar, na 1ª pessoa, as viagens da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima que ele acompanhou na segunda metade da década de 40 do século passado. São relatos interessantes e fidedignos editados, logo a seguir, em 1955, no 3º volume “Fátima Altar do Mundo” que tenho feito sempre referência desta grande obra no final de cada crónica.

O povo da Madeira despediu-se daquela tão surpreendente Imagem que congrega corações num único louvor e devoção a Nossa Senhora de Fátima. Um símbolo que, nestas peregrinações, se torna apoteótico, ultrapassando o nosso poder sensorial/racional, arrastando multidões e surgindo factos prodigiosos que a fé vai incrementar e fortificar tantas mentes que ficam completamente transformadas.

Junto ao Porto do Funchal organizou-se um grandioso cortejo em volta da Baía. Muitos milhares de fiéis iluminados pela luz que irradiava de todos os pontos, tornando ainda mais emocionante aquela despedida com os cânticos, as orações e as lágrimas que brilhavam nas faces daquela gente tão amiga de Maria. Colocada a Imagem no convés do barco “O Guiné” que conduziu a Virgem até à Guiné, o Prelado da Madeira despediu-se com as seguintes palavras: «Sentimo-nos obrigados sim, mas a viver a Mensagem que Vos fez baixar, de compaixão, a um pequeno recanto…da nossa terra portuguesa. Queremos viver essa Mensagem, queremos pregá-la pelos exemplos da nossa vida integralmente cristã e pelo fervor do nosso apostolado…» Na hora precisa da partida, brilhou a seguinte mensagem. «Adeus Virgem de Fátima.»

Cabo Verde, após o tempo de navegação desde o Funchal, recebe a Imagem com enorme aclamação, jubilosa com a presença da nossa Mãe. Um barco, cheio de criancinhas cantando o Ave de Fátima, acompanhado por centenas de pequenas embarcações cujos remos os homens erguiam no ar em continência a Nossa Senhora, foi ao encontro da Virgem de Fátima, patente numa Imagem inspiradora de fervor e de fé, tendo à chegada honras oficiais.

Percorreu todo o arquipélago, incluindo a a freguesia de Santa Catarina, na ilha de Santiago, onde se construía uma igreja Mariana e em que a verdura era diminuta por causa de uma grande seca que se estava a atravessar há anos, causando pobreza e mortes, sendo a presença da Imagem uma consolação e uma esperança para aquela gente, pedindo: «Senhora, dai-nos a chuva!» Logo a seguir «as ilhas de Cabo Verde foram beneficiadas com a tão suspirada chuva que as transformou, como sempre, em terras verdejantes e produtivas.»

Chegou a tão esperada Imagem a Bissau com uma pomba a Seus pés que desde Cabo Verde a acompanhou, causando uma prodigiosa admiração por tantos milhares de devotos que se comoviam com tão ilustre e majestoso símbolo. Passou por Bolama e por outras localidades da Guiné. Foi levada, no dia 25 de abril, para o interior, sendo recebida com fé e entusiasmo. «Os próprios maometanos quiseram associar-se em Bissôa e em Bula, tocando e cantando diante da Imagem o hino mais solene que costumavam cantar nas peregrinações a Meca e mostravam as grossas contas que também eles rezam.»

O barco “ O Guiné” recebe novamente Nossa Senhora para a transportar a Lisboa. Durante a navegação todos os dias se celebrava a Eucaristia e os passageiros iam, frequentemente, visitar a sala onde se encontrava Nossa Senhora, ouvindo-se os cânticos e orações à Virgem.

No dia 12 de maio de 1948, a Cova da Iria, acolhendo um “mar de gente”, recebe, mais uma vez, a padroeira de Portugal num ambiente de alegria, júbilo e emoção por tantas graças e maravilhas perpetradas pela grandeza daquele divinal símbolo.

Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História; direção artística de Luís Reis Santos, historiador de arte e diretor do Museu Machado de Castro, Coimbra; realização e propriedade de Augusto Dias Arnaut e Gabriel Ferreira Marques, composição e impressão – Companhia Editora do Minho, Barcelos, editada pela Ocidental Editora, Porto, em 1953 (Papel fabricado especialmente pela Companhia do Papel do Prado em Tomar)

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