O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, admitiu esta quarta-feira, no Parlamento, que as longas filas nos controlos de fronteira dos aeroportos portugueses já afetaram a imagem internacional do país, classificando a situação como “um embaraço”.
“Não vou pôr a minha cabeça debaixo da areia, claro que [a imagem do país] já foi comprometida”, afirmou o governante, reconhecendo os impactos dos atrasos registados nos últimos dias nos aeroportos nacionais, sobretudo em Lisboa.
O ministro pediu “desculpas formais” aos portugueses e aos turistas afetados pelos constrangimentos, garantindo que o Executivo está empenhado em encontrar soluções rápidas para minimizar os problemas durante o verão.
Na origem da situação está a implementação do novo sistema europeu de entradas e saídas (EES), que substituiu o carimbo no passaporte pelo registo digital de dados biométricos, como impressões digitais e fotografias, para cidadãos oriundos de países fora do Espaço Schengen.
Apesar de ter como objetivo modernizar e agilizar os controlos fronteiriços, o sistema provocou um agravamento significativo dos tempos de espera, especialmente no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Desde outubro de 2025, altura em que entrou em funcionamento, os constrangimentos intensificaram-se, agravando-se ainda mais após dezembro, quando passou a ser obrigatória a recolha biométrica.
Nos últimos dias, os atrasos alastraram também aos aeroportos do Porto e Faro, com passageiros a enfrentarem esperas de várias horas e, em alguns casos, a perderem voos de ligação.
Perante as críticas, o Governo anunciou medidas de reforço operacional. Miguel Pinto Luz revelou que estão a ser feitos investimentos em equipamentos e confirmou o aumento do efetivo policial nos aeroportos. Já esta semana foi anunciado o reforço de 360 agentes da PSP para o controlo fronteiriço durante o período de verão, após formação específica.
Apesar disso, o Executivo mantém divergências sobre a eventual suspensão temporária da recolha de dados biométricos. Enquanto o primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu essa hipótese caso a situação se agrave, o Ministério da Administração Interna afastou, para já, uma suspensão total do sistema durante os meses de maior afluência.
A pressão sobre o Governo aumentou depois de uma inspeção surpresa da Comissão Europeia, no final de 2025, ter identificado “graves deficiências” no controlo de fronteiras em Portugal, sobretudo no aeroporto de Lisboa. O relatório apontou falhas ao nível dos recursos humanos, insuficiência de equipamentos e vulnerabilidades de segurança com impacto em todo o espaço Schengen.
Atualmente, o controlo de passageiros nas fronteiras aeroportuárias está a cargo da PSP, competência herdada em 2023 do extinto Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).



