Doze crianças, com idades compreendidas entre os dois meses e os oito anos, foram encontradas amontoadas no interior de um automóvel estacionado na garagem de uma alegada creche ilegal, na cidade de Yerres, nos arredores de Paris, em França. O caso ocorreu na passada semana e levou à detenção de duas mulheres responsáveis pelo estabelecimento.
A intervenção das autoridades teve origem numa inspeção surpresa realizada pelos serviços de proteção materno-infantil, após denúncias que apontavam para a existência de um número excessivo de crianças naquele local. Perante a recusa inicial de uma das cuidadoras em abrir a porta da habitação, foi solicitada a intervenção da polícia.
Quando entraram na casa, os agentes encontraram cinco crianças numa sala de atividades, aparentemente em condições normais. No entanto, as suspeitas aumentaram quando uma das auxiliares tentou impedir o acesso à garagem.
Após insistirem, os polícias descobriram outras 12 crianças fechadas no interior de um automóvel, sem supervisão, num espaço escuro. Segundo o presidente da Câmara de Yerres, Nicolas Dupont-Aignan, os menores encontravam-se naquele local há mais de uma hora e vários já choravam, entre eles dois bebés com apenas dois meses de idade.
A investigação confirmou as suspeitas dos serviços sociais, que tinham recebido informações sobre o funcionamento irregular da creche.
As duas mulheres responsáveis pelo estabelecimento foram detidas. A proprietária da creche, de 35 anos, possuía autorização para cuidar de apenas quatro crianças, mas negou as acusações. A segunda mulher, na casa dos 40 anos, tinha perdido a licença para exercer a atividade em 2021 e era já suspeita noutro processo relacionado com um alegado caso de síndrome do bebé sacudido. Segundo as autoridades, tentou inicialmente fugir antes de se entregar, tendo posteriormente confessado os factos.
A maioria dos pais afirmou ter ficado surpreendida com a situação. De acordo com uma fonte ligada ao processo, os encarregados de educação limitavam-se a deixar e recolher os filhos num pequeno vestíbulo à entrada da casa, sem acesso às restantes divisões, desconhecendo o número real de crianças presentes no estabelecimento.
As duas arguidas compareceram em tribunal na segunda-feira para responder por acusações relacionadas com exposição ou abandono de menores, trabalho não declarado e exercício de atividade regulamentada apesar da revogação da respetiva licença.
O julgamento acabou por ser adiado, mantendo-se ambas em liberdade sob supervisão judicial. Entretanto, a alegada creche foi encerrada pelas autoridades francesas.
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