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Gota, a doença do ácido úrico

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Todos os anos, a 22 de maio, a América assinala o Dia da Consciencialização para a Gota, uma doença que afeta mais de 9 milhões de americanos e que, por cá, atinge 1,3% da população portuguesa. A gota afeta mais frequentemente o homem, tendo este um risco 3 a 6 vezes superior de desenvolver a doença do que a mulher. Apenas 5% de todos os casos de gota ocorrem nas mulheres. Nos homens, a doença ocorre mais frequentemente a partir dos 40 anos, sendo as mulheres mais afetadas a partir dos 60 anos de idade.

Mas o que é a gota? A gota é uma doença que resulta, normalmente, do excesso de ácido úrico no organismo, porém, nem todas as pessoas com hiperuricemia têm sintomas de gota e vice-versa. O ácido úrico é um produto da metabolização ou degradação das proteínas. A maioria dos mamíferos produz uma enzima chamada uricase que leva à redução dos níveis de ácido úrico para valores que não suscitam risco de doença, neste caso, de gota. No entanto, os seres humanos, apesar de serem mamíferos, têm este gene mutado ou disfuncional, facto que torna o excesso de ácido úrico mais comum. Este forma cristais que se depositam nas articulações, tecidos e rins, levando a doença articular e também, em alguns casos, a “pedra nos rins”. É muito frequente a gota atingir a articulação do dedo grande do pé (mais de 50% dos casos), sendo que a dor se intensifica, normalmente, durante a noite. Podem, também, ser envolvidas outras articulações como os tornozelos, joelhos ou punhos. A crise de gota começa, habitualmente, de madrugada ou manhã e rapidamente, em 8-12h, evolui com dor e tumefação de instalação rápida, podendo surgir eritema (pele vermelha). O doente pode, inclusivamente, não conseguir calçar-se ou suportar os lençóis da cama. As crises de gota são, habitualmente, autolimitadas, melhorando ao fim de uma semana, mesmo sem medicação, embora, com auxílio médico, as melhorias sejam, substancialmente, mais céleres.

A prevalência de hiperuricemia e de gota tem aumentado nas últimas décadas devido a vários fatores, como o aumento da esperança média de vida, da obesidade, da insuficiência renal crónica, do uso de diuréticos, entre outros fatores. 

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Como forma de prevenir as crises de gota é importante, não só, a toma da medicação de prevenção, desde que aconselhada pelo médico, como também a modificação de alguns estilos de vida, mormente relacionados com a alimentação. É importante restringir o consumo carnes vermelhas, nomeadamente de porco e vísceras de animais, assim como de café, chá, chocolate, álcool e mariscos. É igualmente importante, a redução do peso corporal e a restrição do consumo de alguns medicamentos, como os diuréticos.

Mais de metade dos doentes com crises de gota, nomeadamente 60% deles, vão ter um novo episódio nos 12 meses seguintes, facto que reforça o papel importante da prevenção e do tratamento adequado. Assim, as terapias farmacológica e não farmacológica devem começar imediatamente após o primeiro episódio, através da medicação adequada assim como da modificação dos estilos de vida e eliminação ou atenuação dos fatores de risco de forma a evitar crises recorrentes. De facto, no que à saúde diz respeito, prevenir é, quase sempre, o melhor remédio.

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