O Instituto Eduqa reúne esta quinta-feira com os diretores dos agrupamentos e escolas de todo o país, numa iniciativa destinada a preparar a divulgação das classificações da primeira fase dos exames nacionais, prevista para sexta-feira.
As reuniões, realizadas em formato online, serão abertas a todos os intervenientes no processo e terão como principal objetivo explicar os procedimentos para a disponibilização digital das provas de exame aos alunos, permitindo-lhes consultar os respetivos testes logo após a afixação das pautas.
Em declarações à RTP Antena 1, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, explicou que a sessão servirá para esclarecer a forma como os estabelecimentos de ensino irão facultar o acesso às provas.
Segundo o responsável, os alunos deverão poder consultar automaticamente a versão digital do exame, sem necessidade de pedido prévio, ficando em condições de analisar a classificação atribuída e, caso o entendam, apresentar um pedido de reapreciação.
“É um direito que assiste aos nossos alunos”, afirmou Filinto Lima, admitindo que o número de pedidos de reapreciação poderá aumentar “de forma substancial”, tendo em conta os constrangimentos que marcaram o processo de classificação deste ano.
Entretanto, a correção dos exames nacionais continua a gerar preocupação. Apesar de o prazo inicialmente definido ter terminado ao meio-dia de quarta-feira, vários professores receberam ainda novas provas para classificar durante a tarde e noite.
A porta-voz do movimento Missão Escola Pública, Cristina Mota, revelou à RTP Antena 1 que alguns docentes continuavam a corrigir exames de Português e Matemática e que outros só receberam credenciais para iniciar a classificação esta quinta-feira.
Segundo explicou, há professores com entre 70 e 100 itens de resposta para avaliar, tendo-lhes sido garantido que poderiam concluir esse trabalho ao longo do dia de quinta-feira.
Perante este cenário, Cristina Mota admite que as pautas possam ser divulgadas na sexta-feira, embora manifeste dúvidas de que todas as classificações estejam concluídas, sobretudo nas disciplinas com maior número de provas.
A polémica em torno da plataforma digital utilizada na classificação dos exames continua igualmente a aumentar. A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) anunciou que irá solicitar, já esta sexta-feira, a abertura de um inquérito à Procuradoria-Geral da República para apurar a fiabilidade e a viabilidade do sistema informático utilizado durante o processo.
O objetivo, segundo o secretário-geral da Fenprof, Francisco Gonçalves, é que o Ministério Público avalie se a plataforma reúne as condições necessárias para assegurar um processo de classificação credível, depois das sucessivas falhas que motivaram atrasos na divulgação das notas e críticas por parte de professores, alunos e famílias.



