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Homem que matou mulher em 2024 diz em tribunal que não se lembra de o fazer

Esta manhã, em tribunal, o homem acusado de matar a mulher em 2024, em Porto de Mós, disse que não se lembra de ter cometido o crime, alegando que ela o atacou primeiro.

«Quando me projetei para cima dela, a partir desse momento, não me recordo absolutamente nada, até ao momento em que tenho consciência [de] que estou no chão», apontou o arguido de 56 anos, completando que ligou ao 112 e disse «qualquer coisa do género ‘venham que eu matei a minha mulher’».

Anteriormente, o homem tinha dito que, em casa, próximo a um anexo de ferramentas, sentiu «um impacto no peito», tendo retirado do mesmo uma faca de cozinha e, num «movimento rápido», sentindo outro em direção ao pescoço, de uma faca diferente.

«Tinha sangue por todo o lado», apontou, ainda, dizendo que tentou defender-se da mulher com o que «quer que fosse».

Quando lhe disseram que a acusação do Ministério Público (MP) argumentava que os ferimentos tinham sido autoinfligidos, o homem afirmou que «isso é mentira». «Nunca fiz golpe nenhum a mim próprio», vincou.

Segundo o MP, a relação entre o casal e seus filhos «começou a ser pautada pelo distanciamento».

Ao que se apurou, no início do ano passado, o homem confrontou a vítima com um rumor que de que «um homem da aldeia iria comprar uma casa para ali ir viver com uma mulher casada». O arguido desconfiava que era a sua. Depois do confronto, a vítima quis separar-se.

O homem teria dito, várias vezes, aos filhos, que não conseguiria viver sem ela e, ainda, disse à mesma que se ela se separasse, ele se iria suicidar, «pretendendo, assim, que esta desistisse da separação», acusa o MP.

A acusação diz, assim, que a 25 de maio de 2024, o homem, por ciúmes, atacou a mulher com uma maceta de ferro na cabeça, em várias pancadas.

Com a mulher já caída no chão, o homem «desferiu-lhe mais pancadas com a maceta, atingindo-a na cabeça», em vezes não determinadas, mas que foi confirmado que foram, pelo menos, 12.

Ainda, terá tentado estrangular a vítima e, depois de ter a certeza que a mesma estava morta, ligou ao 112, solicitando «comparência da polícia, pois tinha matado a mulher».

O MP aponta que, então, desferiu os golpes em si mesmo.

Quanto à alegação do MP, o homem disse que foi «uma chamada de atenção», negando que desconfiou da mulher. Quanto à separação, disse que estava «disposto a tentar uma hipótese» e apontou que não ameaçou que se iria suicidar.

O tribunal ouviu, esta manhã, testemunhas, bem como a chamada telefónica realizada no dia. O julgamento continua a 10 de abril.

ovilaverdense@gmail.com

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