O Governo português apresentou esta quarta-feira a versão final do Amália (Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial), o primeiro modelo de linguagem de grande escala desenvolvido especificamente para o português de Portugal, que passa a estar disponível em código aberto.
O anúncio foi feito no Técnico Innovation Center, em Lisboa, onde o Executivo revelou também um reforço de 1,5 milhões de euros no investimento do projeto, elevando o financiamento público total para sete milhões de euros até 2027. Inicialmente, o projeto estava orçado em 5,5 milhões de euros, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Com cerca de 18 meses de desenvolvimento, o modelo arranca com 9 mil milhões de parâmetros, estando prevista uma evolução para 22 mil milhões numa segunda fase, através do reforço da capacidade computacional e da infraestrutura associada.
Durante a apresentação, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sublinhou que o projeto deve ser encarado como um ponto de partida e não como uma etapa concluída.
“Não estamos aqui para festejar nada. Estamos aqui apenas para lançar o desafio de amanhã estarmos melhor do que estamos hoje e, para o ano, estarmos melhor do que estamos hoje”, afirmou.
O chefe do Governo destacou ainda o potencial da inteligência artificial para modernizar a Administração Pública, melhorar serviços e simplificar a relação com cidadãos e empresas, defendendo uma abordagem contínua de evolução tecnológica.
Apesar de ser frequentemente referido como o “ChatGPT português”, os responsáveis do projeto afastam essa comparação direta. Em declarações à agência Lusa, o CEO do consórcio Center for Responsible AI, Paulo Dimas, sublinhou que o sistema não foi concebido como uma ferramenta de chat para o público em geral.
“Não vai haver uma interface de chat para as pessoas interagirem, como se fosse o ChatGPT, porque não é essa a função”, afirmou, acrescentando que “é muito importante repetir” essa distinção.
O modelo foi desenvolvido por um consórcio liderado pela Nova FCT e envolve mais de 60 investigadores de várias instituições de ensino superior, incluindo o Instituto Superior Técnico, as universidades de Coimbra, Minho e Porto. O treino do sistema baseou-se no modelo europeu EuroLLM e recorreu a capacidade computacional de supercomputadores como o Deucalion, em Portugal, e o MareNostrum 5, em Espanha.
Segundo o diretor de Sistemas de Informação do Estado, Manuel Dias, o modelo será disponibilizado em regime aberto através do portal ia.gov.pt e da plataforma Hugging Face, permitindo a qualquer utilizador ou empresa descarregar e utilizar o sistema sem custos, sob licença Apache 2.0.
“O modelo Amália tem 9 mil milhões de parâmetros e vai evoluir para chegar aos 22 mil milhões”, explicou, destacando a sua capacidade de processamento e desempenho.
De acordo com os responsáveis, o sistema já foi testado em ambiente real em setores como cultura, ciência, comunicação social e educação, através da plataforma IAedu da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
O Governo pretende agora integrar o modelo nos canais digitais da Administração Pública e na aplicação móvel gov.pt, como parte da estratégia de transformação digital do Estado.



