A Infraestruturas de Portugal (IP) foi novamente alertada, na semana passada, para a situação nas imediações da Ponte do Bico, em Palmeira, Braga. O aviso foi feito por correio eletrónico e incide, em particular, sobre a Estrada Nacional 101, onde se regista instabilidade de solos num muro de suporte da via de acesso rodoviário à mini-hídrica existente no local.
O alerta chama ainda a atenção para um terreno situado a poucos metros dos campos de voleibol de praia, numa zona frequentada regularmente por praticantes desportivos e população em geral, o que aumenta as preocupações em termos de segurança.
A situação não é nova. Segundo confirmou Carlos Dobreira, ativista ambiental e cívico de Braga, o problema já tinha sido comunicado no passado dia 29 de janeiro, numa altura em que o país era afetado pelas depressões Ingrid, Joseph e Kristian. Na altura, tanto o Ministro das Infraestruturas e Habitação como a própria Infraestruturas de Portugal foram informados, também por e-mail, sobre os riscos associados à Ponte do Bico, às suas imediações e às margens próximas do rio Cávado.
“Estamos a falar de uma zona sensível, junto a um curso de água, com sinais visíveis de instabilidade que se agravaram com os episódios de chuva intensa”, refere Carlos Dobreira, sublinhando que o novo alerta surge “porque nada de concreto foi feito no terreno”.
As recentes depressões deixaram marcas evidentes em várias infraestruturas da região e a área da Ponte do Bico não foi exceção. A erosão dos solos e a pressão exercida pelas cheias do Cávado levantam receios de degradação progressiva, com possíveis impactos na circulação rodoviária e na segurança de quem frequenta o espaço envolvente.
Até ao momento, não é conhecida qualquer resposta pública da Infraestruturas de Portugal ao mais recente alerta. Entretanto, Carlos Dobreira defende uma avaliação técnica urgente e intervenções preventivas, alertando que “esperar por um incidente grave não pode ser a forma de gerir o território”.
A Ponte do Bico é um ponto de ligação importante entre margens e um espaço de uso frequente pela população local, o que torna a situação ainda mais sensível num contexto de instabilidade meteorológica que continua a afetar a região.



