O ministro da Educação, Fernando Alexandre, determinou a exoneração de Fernando Silvestre, professor condenado por crimes de abuso sexual contra alunas em Vila Nova de Famalicão, considerando a sanção “justa e proporcional”.
Em comunicado, o Ministério da Educação refere que a decisão foi tomada na sequência de proposta da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), tendo o docente já sido notificado da demissão, bem como o diretor do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco.
Segundo a tutela, a sanção aplicada tem em conta “o grau de culpa do trabalhador, a particular responsabilidade associada às funções desempenhadas e as circunstâncias da prática dos factos”.
O professor foi condenado pelo Tribunal Judicial da Comarca de Braga, no Juízo Central Criminal de Guimarães, a uma pena única de oito anos de prisão, após terem sido dados como provados 62 crimes de abuso sexual sobre 15 alunas, com idades entre os 14 e os 17 anos. Foi ainda aplicada uma pena acessória de proibição de exercer funções que envolvam contacto com menores por um período de 10 anos.
Os factos remontam ao período entre 2014 e 2018, quando o docente lecionava Educação Moral e Religiosa Católica na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, onde também desempenhava funções no âmbito do teatro escolar.
Na decisão judicial, o coletivo de juízes considerou os testemunhos das vítimas “credíveis, convincentes e comoventes”, rejeitando a tese de defesa que apontava para uma alegada cabala contra o arguido. A juíza presidente descreveu o docente como “um mestre na arte de manipulação e dissimulação”.
O caso gerou polémica após ter sido noticiado que, já depois da condenação, o professor chegou a ser colocado noutra escola enquanto aguardava decisão de instância superior, situação que motivou críticas e pedidos de esclarecimento.
Com a exoneração agora formalizada, o Ministério da Educação sublinha o compromisso com a proteção dos alunos e a garantia de que situações desta natureza são tratadas com o máximo rigor no sistema educativo.



