A Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde reagiu esta quinta-feira à greve convocada pelo SITEU (Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos do Continente e Ilhas), considerando que se trata de um protesto “ilegal” e negando ser “devedora das quantias reclamadas pelo SITEU”.
“A greve em causa constitui uma greve ilegal que não respeita os pressupostos legais constantes da legislação laboral aplicável, designadamente por implicar uma discriminação inaceitável e incompreensível em relação aos pacientes carecidos das cirurgias agendadas no Hospital da SCMVV”, refere a instituição, num comunicado enviado às redações.
A Misericórdia acrescenta que, “em reunião conciliatória decorrida na DGERT (Direção Geral do Emprego e Relações de Trabalho), na cidade do Porto, no dia 17 de julho de 2025, em que estiveram presentes representantes de ambas as partes, foi celebrado acordo entre a SCMVV e o SITEU nos termos do qual o SITEU se obrigou a desconvocar a greve em causa contra o pagamento do prémio SIGIC por parte da SCMVV, até à data prevista para o início da greve (25/07/2025)”.
“No dia 23 de julho seguinte, em cumprimento dos termos do referido acordo, a SCMVV procedeu ao pagamento do referido prémio a todos(as) enfermeiros(as), para tanto utilizando o mesmo método de cálculo que havia sido praticado nos anos anteriores e que não merecera qualquer censura por parte do SITEU”, adianta.
A Misericórdia de Vila Verde sublinha que, “de forma incompreensível e em manifesto incumprimento dos termos do acordo celebrado perante a DGERT, o SITEU não procedeu, até à data, à desconvocação a que se obrigara da anunciada greve”.
“Não é verdade que a SCMVV seja devedora das quantias reclamadas pelo SITEU, encontrando-se, aliás, atualmente, tais reclamações a serem discutidas nos tribunais competentes”, pode ler-se no comunicado, onde a instituição refere que “a atual greve constitui também um desrespeito pelas competências do tribunal, numa tentativa inaceitável de condicionar a atividade da SCMVV e de se sobrepor à decisão soberana do tribunal competente, que, naturalmente, será cumprida e respeitada pela SCMVV, seja qual for o seu sentido”.
“A presente greve, para além de ilegal, é também absolutamente despropositada, mais não passando de um exercício ilegítimo de um direito que não deve ser utilizado de ânimo leve, numa tentativa infeliz de pressionar a SCMVV a ceder na sua posição, aliás, desde sempre manifestada junto do SITEU e também perante o Tribunal”, vinca a Misericórdia de Vila Verde.
«O que despoletou a presente greve foi o facto dos enfermeiros do bloco operatório não terem recebido, em 30 de junho, o prémio de produção de 2024, que os enfermeiros têm aditado ao seu contrato de trabalho», revelou a sindicato, em nota enviada à nossa redação.



