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O agravar da pandemia nas escolas de Vila Verde. Preocupação aumenta e o futuro é incerto

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As várias escolas do concelho de Vila Verde estão a sentir os efeitos do aumento do número de casos de Covid-19, havendo vários alunos e infectados e diversas turmas em isolamento profiláctico nos diferentes agrupamentos escolares.

Num momento em que o eventual encerramento dos estabelecimentos de ensino está cada vez mais na ordem do dia, os responsáveis escolares do concelho admitem que a pressão sobre as escolas é grande por força do agravamento da situação epidemiológica.

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«Ao todo, desde o reinício das aulas, tivemos conhecimento de 32 casos positivos no agrupamento, sendo 30 de alunos, um de professor e outro de assistente operacional. A situação é preocupante e tem-se agravado de dia para dia», disse ao jornal “O Vilaverdense” a adjunta da Direcção do Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva, Anabela Soares.

«Na Escola da Ribeira do Neiva temos uma turma de 1º ciclo e outra de 7º ano em isolamento profiláctico. Em Moure, numa turma de 9º ano, foram colocados em isolamento vários alunos, considerados contactos de risco», explicou.

Segundo Anabela Soares, há ainda três grupos dos jardins de infância de Parada de Gatim, de Pedregais e da Lage que também cumprem quarentena após terem sido detectados casos positivos de Covid-19. «Temos muitos agregados familiares com casos positivos, o que depois faz com que estes casos se alarguem para as escolas», sublinhou.

No Agrupamento de Escolas de Prado, estão em isolamento profiláctico duas turmas de 1º ciclo do Ensino Básico e há actualmente «aproximadamente 10 a 15 alunos com testes positivos», segundo as informações avançadas pelo Director.

«Um dos alunos de 1º ciclo também frequentava a componente de apoio à família, pelo que também esses alunos foram para casa. No total, estaremos a falar de cerca de 80 alunos em isolamento no Agrupamento», explicou Luís Martins.

FALTA DE PROFESSORES

Já no Agrupamento de Escolas de Vila Verde, o Director, Alberto Rodrigues, disse que «não há nenhuma turma em isolamento», mas existem vários casos confirmados de infecção por Covid-19.

«No Agrupamento todo devemos ter à volta de 20 casos positivos confirmados. É na Escola Básica de Vila Verde onde há mais, distribuídos por várias turmas. Há uma turma em particular que tem dois casos e que é a que mais nos preocupa neste momento», afirmou.

Segundo Alberto Rodrigues, a situação está «notoriamente a agravar-se» e o aumento do número de casos na comunidade cria uma «pressão muito grande» sobre a escola, onde se começa também a sentir a falta de professores.

«Temos três professores em isolamento devido à Covid-19, mas temos mais com outras doenças e que, por isso, não estão de serviço. Já pedimos substituição, mas infelizmente ainda não conseguimos. Há turmas que ficaram sem professores de História e de Inglês», exemplificou.

ESCOLA SECUNDÁRIA

Na Escola Secundária de Vila Verde, existem actualmente «aproximadamente 12 alunos» que testaram positivo à Covid-19. O Director, João Graça, sublinha que «a relação com a autoridade de saúde tem sido óptima, o que tem permitido gerir a situação da melhor forma».

«Julgo que tanto eu como os outros professores somos apologistas, preferencialmente, do ensino presencial, no entanto, não estando em posição de decidir ou não sobre o encerramento geral, penso que seria uma boa solução, num possível agudizar da situação, colocar alguns alunos em casa e outros na escola, por forma a reduzir contactos», explicou.

João Graça refere que, «caso se verifique esse mesmo agudizar» e as aulas presenciais sejam suspensas, a Secundária de Vila Verde «estará preparada». «Temos um plano delineado e para aplicar se assim for necessário», frisa.

EPATV

Sem turmas em isolamento, a Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV) tem actualmente 13 alunos infectados com Covid-19, assim como um colaborador, cujo teste positivo foi conhecido nas últimas horas e que aguarda ainda indicações da Direcção-Geral da Saúde.

«A escola é um espaço seguro, onde as regras são cumpridas e onde os alunos estão apenas oito horas por dia. A preocupação maior vem do exterior», refere João Luís Nogueira, numa opinião que é partilhada pelos restantes responsáveis escolares ouvidos pelo jornal “O Vilaverdense”.

Sobre um eventual fecho das escolas, o Director da EPATV entende que essa poderia ser uma solução a adoptar a partir da próxima semana, «durante 15 dias», excluindo apenas as creches e os jardins de infância.

«No nosso caso, a escola tem um plano definido e capacitou os alunos para o caso de voltarmos ao ensino à distância, embora infelizmente continuem a faltar respostas locais nalguns domínios, como é o caso da falta de Internet nalgumas aldeias mais rurais», apontou.

TESTES NAS ESCOLAS

O Director do Agrupamento de Escolas de Prado considera que o eventual encerramento das escolas «tem de ser pensado» e entende que seria benéfico realizar testes de despistagem nos vários estabelecimentos de ensino.

«Julgo que o eventual encerramento das escolas é uma situação que tem de ser pensada e o primeiro passo poderia passar por fazer testes generalizados à população escolar, pois colocar-nos-ia mediante dados concretos para poder tomar uma decisão consciente, realista e assertiva», defende Luís Martins.

Esta terça-feira, o Governo anunciou que vai iniciar uma campanha de aplicação de testes rápidos nos estabelecimentos de ensino públicos e privados com Ensino Secundário localizados nos concelhos de risco extremamente elevado.

No país, há actualmente 78 surtos activos em estabelecimentos de ensino (creches, escolas e ensino superior), com um total de 610 casos de Covid-19.

Texto: Ricardo Reis Costa | Pedro Nuno Sousa

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