OPINIÃO

OPINIÃO -

O governo do faz de conta (2)

Share on facebook
Share on twitter

TÓPICOS

Share on facebook
Share on twitter

TÓPICOS

Há dias fomos surpreendidos por uma informação que circulou nas redes sociais que referia que “Portugal tem dois milhões de pobres e quatro milhões a caminho da pobreza”. A notícia foi, posteriormente, corroborada no programa Polígrafo como sendo verdadeira, atestando que a taxa de pobreza ou exclusão social no país atingia em 2021 os 22,4%, valor 2,4 pontos percentuais acima do ano anterior. Vale-nos o facto de termos um Estado Social e um conjunto de políticas públicas, assentes no modelo social europeu que proporciona uma rede de segurança e apoio aos cidadãos em situação de maior vulnerabilidade, atirando-os para um patamar que os retira destas estatísticas, pois, caso contrário, a percentagem poderia atingir 43,5% da população portuguesa.

O papel do Estado enquanto entidade que assegura um papel de proteção desta população vulnerável que, infelizmente, engrossa as estatísticas a cada ano que passa, é determinante para o nosso desenvolvimento, seja através de políticas sociais de apoio aos mais desfavorecidos, seja através da garantia de sistemas públicos de saúde, educação e segurança social, seja através de outros apoios assentes na redistribuição da riqueza. O problema não está na redistribuição da riqueza que contribui para termos um país menos desigual. O problema está na quase completa ausência de crescimento económico no país. Sem ele, mais tarde ou mais cedo não teremos nada para distribuir.

Pouco crescemos desde o início do século. E escuso de lembrar os leitores que nos últimos 25 anos o Partido Socialista governou 18! Caminhamos para nos tornarmos um país pobre, com baixos salários e empregos cada vez mais precários. Precisamos de nos tornar mais atrativos, mas cada vez somos menos apetecíveis para o investimento empresarial e esta geração de jovens portugueses, altamente qualificada, vê-se obrigada a procurar um futuro melhor no estrangeiro. Em Portugal, estamos estagnados e, como se isso não bastasse, ainda redistribuímos mal o pouco que temos. Os 125€ que, recentemente, foram injetados na conta de muitos portugueses são um exemplo de uma medida redistributiva totalmente ineficiente que não resolve os problemas dos nossos cidadãos, apenas ilude. É uma medida meramente conjuntural e que nada tem de estrutural para ajudar, de facto, quem mais precisa. Além disso, cada vez mais me convenço que utilizamos mal o dinheiro público: Num ano, o que injetamos na TAP (3200 milhões) é comparável com a despesa que alocamos à Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (3300 milhões) neste Orçamento de Estado e é superior ao que ao que se prevê gastar na Justiça (1700 milhões), na Defesa (2500 milhões), na Segurança Interna (2500 milhões), na Agricultura (1500 milhões) e na Cultura (759 milhões). 

PUBLICIDADE

Se queremos distribuir o bolo por quem mais precisa, precisamos de fazer crescer esse bolo. Se queremos uma sociedade mais justa e com mais oportunidades temos que criar riqueza e depois sim, estaremos em melhores condições de resolver os nossos principais problemas e desafios.

Share on facebook
Partilhe este artigo no Facebook
Share on twitter
Twitter
COMENTÁRIOS
OUTRAS NOTÍCIAS

Acesso exclusivo por
um preço único

Assine por apenas
2€ / mês
* Acesso a notícias premium e jornal digital por apenas 24€ / ano.