Uma vaga de calor de grande dimensão está a atingir a Europa, com impacto previsto em centenas de milhões de pessoas. De acordo com uma análise baseada em dados meteorológicos e projeções populacionais, cerca de 193 milhões de habitantes no continente europeu poderão registar temperaturas superiores a 35°C ao longo do sábado.
O estudo, desenvolvido com base em previsões do Serviço Meteorológico Alemão (Deutscher Wetterdienst) e em projeções demográficas do Centro Comum de Investigação da União Europeia, indica ainda que mais de 404 milhões de pessoas estarão expostas a temperaturas acima dos 30°C, embora com ligeira diminuição face ao dia anterior.
Entre os países mais afetados destaca-se a Alemanha, onde cerca de 75 milhões de pessoas deverão enfrentar temperaturas superiores a 35°C, num universo total de aproximadamente 82 milhões expostos a valores acima dos 30°C.
Na Hungria, praticamente todo o território deverá ser atingido por temperaturas extremas, afetando mais de nove milhões de pessoas. Situação semelhante é esperada em vastas áreas da Áustria, da República Checa — incluindo a capital Praga — e da Polónia.
Também França deverá registar temperaturas acima dos 35°C para cerca de 26 milhões de pessoas, embora com tendência de descida nos valores máximos face aos dias anteriores. Em contraciclo, regiões como Portugal, Londres e partes de Espanha deverão manter-se relativamente menos afetadas.
O modelo utilizado, que cruza previsões meteorológicas com densidade populacional, tem uma resolução de cerca de 6,5 quilómetros. Especialistas alertam, contudo, que este método pode subestimar o impacto real nas grandes áreas urbanas, devido ao fenómeno das ilhas de calor.
Segundo responsáveis da ONG Klimadashboard, que colaboram na análise destes dados, as zonas densamente povoadas poderão registar valores superiores aos estimados pelo modelo, aumentando o número real de pessoas expostas ao calor extremo.
Apesar da intensidade do fenómeno, alguns países começam a preparar o alívio das temperaturas. Em França, o fim dos alertas máximos é esperado para domingo à noite, com a chegada de massas de ar mais fresco. Na Alemanha, prevê-se igualmente uma descida das temperaturas para valores abaixo dos 30°C a partir de segunda-feira.
No sudeste da Europa, a situação poderá agravar-se. A Roménia prepara-se para emitir alertas vermelhos devido a “temperaturas extremas” e “noites tropicais”, enquanto a Moldávia anunciou restrições à circulação de veículos pesados entre 28 de junho e 1 de julho, devido ao calor intenso.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) admite que esta poderá ser uma das ondas de calor mais severas já registadas em termos de abrangência, embora ainda sem confirmação definitiva. Vários estudos científicos apontam para a forte influência das alterações climáticas, indicando que fenómenos deste tipo se tornaram significativamente mais prováveis nas últimas décadas.
Os impactos já são visíveis em vários países europeus, incluindo paralisações em centrais nucleares na Suíça, aquecimento anómalo de massas de água no norte de Itália e aceleração do degelo em glaciares alpinos, sublinhando a dimensão e os efeitos sistémicos do episódio climático em curso.



