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PCP recorda em Braga 100 anos de luta por um país que ainda falta construir

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As lutas comunistas e os seus obreiros foram recordados este sábado na comemoração, em Braga, do Centenário do PCP, um caso de longevidade único na Europa. Mas também foram lembrados os ataques e assaltos às sedes do partido no distrito bracarense no Verão Quente de 1975. A data foi também de reafirmação de um PCP “necessário e insubstituível” no para o país mais justo que falta ainda construir e da denúncia do “caracter desumano” da lógica de lucro das farmacêuticas na produção da vacina contra a covid-19.

Em conversa com o PressMinho/O Vilaverdense à margem da sessão comemorativa, Jorge Matos, da Direcção da Organização Regional (DOR) de Braga do PCP, recordou o papel dos comunistas da região, que “tiverem um papel importante no surgimento, desenvolvimento e na luta que os trabalhadores travaram”, contribuindo não só para a “grandeza do partido”, mas na luta contra o fascismo “em conjunto com outros democratas não comunistas”.

“Há paginas da vida deste distrito que representa contributos importantes para o PCP e para a luta dos comunistas e na a luta democrática por objectivos políticos”, afirmou, vincado que esta acção “é notória e tem que ser realçada”.

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PÁGINA NEGRA

Há também, lembra, uma “página negra”. Jorge Matos fala da época que ficou conhecida por Verão Quente, quando movimentos da extrema direita, inflamados por um discurso do Arcebispo Francisco Maria da Silva, atacaram incendiaram a sede do PCP, no campo da Vinha, a 10 de Agosto de 1975, e, nos dias seguintes, várias outras sedes de partidos de esquerda, sobretudo dos comunistas, no Norte do país.

Para o responsável da DOR bracarense, este “capítulo bastante negro” da vida de partido, esta página de “notícias muito tristes e graves” de “anti-comunismo mais primário”, “não pode ser esquecida”.

Foi também graças ao papel dos comunistas, refere, que se assistiu em Braga “a uma evolução muito positiva dos valores democráticos e das ideias democráticas”.

“Neste plano de tolerância, e até do reconhecimento do papel que os comunistas desempenharam na democracia que hoje se vive, não pode haver nenhuma acção de carácter violento ou terrorista contra um partido que tem toda a legitimidade e um passado que nos honra”, avisa Jorge Matos.

No entanto, não é para breve que surgirá um documento de análise da acção do PCP no Minho, uma iniciativa há muito aguardada por quem se interessa pela história do comunismo numa região tida tradicionalmente como profundamente religiosa e conservadora.

Jorge Matos considera que “provavelmente” haveria razões para avançar com uma obra daquela natureza, contudo “há que estabelecer prioridades”.

“Hoje não é altura para nos debruçar sobre isso. Esta é uma altura de estarmos mais voltados para o presente e para o futuro”, afirma.

FESTA DA ALEGRIA, A PEDRADA NO CHARCO

Também o regresso Festa da Alegria, um evento com assinatura do PCP que deixou saudades a comunistas e não comunistas pela sua vertente cultural, em particular pelos espectáculos músicos de grandes nomes da música nacional e galega, está fora dos planos da DOR Braga.

Jorge Matos confessa que o partido se sente “muito honrado” com o desejo que a iniciativa – uma espécie de Festa do Avante! à moda do Minho – volte ao Parque de S. João da Ponte.

“A Festa da Alegria foi uma pedrada no charco, uma novidade brutal, contra a passividade cultural da cidade”, lembra.

“Não é altura para pensar nisso”, adianta, reconhecendo que as razões que levaram ao seu fim em 2008, após 25 edições, ainda se colocam: a necessidade de “uma grande suporte financeiro e esforço humano”.

RASTO DE MORTE

Falando a cerca de uma centena de militantes e simpatizantes comunistas, concentrados na avenida Central, sobre ‘100 anos – 100 acções – Liberdade, Democracia, Socialismo’, coube a Belmiro Magalhães, membro da Comissão Politica do Comité Central e responsável pela DOR Braga afirmar que o PCP “é um partido necessário e insubstituível”.

O comunista lembrou que se assistiram nos últimos 100 anos “profundas transformações”. Todavia, o “sistema capitalista” não mudou a “sua natureza, exploradora, opressora, predadora e opressiva”.

Denunciando um sistema assente num “rol de desemprego, precariedade, pobreza, destruição económica, retrocesso social, ataque aos direitos sociais e laborais”, Belmiro Magalhães denunciou o que chamou “dramático rasto de morte” a que se assiste “em países inteiros” em resultado da “sua acção predadora porque a guerra surge cada vez mais como resposta à crise em que [o capitalismo] mergulhou”.

Esta acção predadora, clarificou, está patente na actual crise pandémica e no “carácter desumano” que revela ao enfrentá-la, “na resposta que faltou e falta nos planos sanitários e clínicos” em “muitos e importantes países capitalistas” e “dramaticamente visível na principal potência capitalista, os Estados Unidos da América”.

Para o responsável do PCP, a produção das vacinas contra a covid-19 está ela própria contaminada pelo “carácter desumano” patente nos “interesses farmacêuticos e europeus” ao “pôr os lucros” à frente da vida.

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