Portugal presta esta sexta-feira a última homenagem a Luís Represas, um dos mais influentes músicos da história da música portuguesa. O funeral do cantor e compositor decorre em Lisboa, numa cerimónia reservada à família e aos amigos mais próximos, precedida por uma missa aberta ao público na Basílica da Estrela, com início marcado para as 15h00.
Desde a tarde de quinta-feira, centenas de admiradores passaram pela Basílica da Estrela para prestar uma última homenagem ao artista, cuja morte, na quarta-feira, aos 69 anos, gerou uma onda de consternação no meio cultural e junto do público português.
Nascido em Lisboa, em 1956, Luís Represas iniciou o seu percurso artístico em 1976, como um dos fundadores dos Trovante, grupo que marcou profundamente a música portuguesa ao conjugar sonoridades tradicionais com influências contemporâneas. Entre os álbuns mais emblemáticos da banda destacam-se Baile no Bosque (1981) e Cais das Colinas (1983), obras que permanecem como referências da música nacional.
Após a dissolução do grupo no início da década de 1990, Luís Represas iniciou uma carreira a solo que se revelou igualmente marcante. O álbum de estreia, Represas (1993), gravado em Cuba, incluiu temas como “Fora de Tempo”, “Neva sobre a Marginal” e “Feiticeira”, canções que rapidamente conquistaram um lugar de destaque no panorama musical português. O seu trabalho mais recente, Miragem, foi editado em 2024.
Ao longo de cinco décadas de carreira, colaborou com alguns dos maiores nomes da música nacional e internacional, entre os quais Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Jorge Palma, Gilberto Gil, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Pablo Milanés, Carlinhos Brown, Compay Segundo e Phil Collins.
Para além do percurso artístico, Luís Represas destacou-se pelo envolvimento em causas humanitárias e pela defesa da independência de Timor-Leste. A canção “Timor”, composta com João Gil e João Monge, tornou-se um dos símbolos da luta do povo timorense pela autodeterminação, tendo sido posteriormente traduzida para tétum por Xanana Gusmão.
O reconhecimento pelo seu contributo estendeu-se também às distinções oficiais. Em 2005 foi agraciado pelo Estado Português com o grau de Comendador da Ordem do Mérito e, em 2016, recebeu a Medalha da Ordem de Timor-Leste, atribuída pelo Presidente Taur Matan Ruak, pelo apoio prestado ao país.
Luís Represas encontrava-se a celebrar 50 anos de carreira e tinha anunciado dois concertos comemorativos nos Coliseus de Lisboa e do Porto, previstos para abril de 2027, espetáculos que acabariam por não se concretizar.
Com a sua partida, desaparece uma das vozes mais emblemáticas da música portuguesa contemporânea. O legado de Luís Represas permanecerá, contudo, vivo através de uma obra que atravessou gerações e ajudou a escrever algumas das páginas mais marcantes da cultura musical em Portugal.



