Segundo a PSP, a intervenção foi realizada no sábado pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, durante o controlo documental de um voo proveniente de Dakar, no Senegal. A mulher e a criança afirmaram que seguiam para França, mas as autoridades detetaram incongruências na documentação apresentada, na alegada relação familiar e nas explicações fornecidas, o que motivou uma investigação mais aprofundada.
Com o apoio de um guarda de fronteira da Frontex, foi possível confirmar que a versão inicial não correspondia à realidade. A mulher afirmou ser mãe da criança, mas as autoridades apuraram que tal era falso e que a menor viajava com um documento de identificação pertencente a outra pessoa.
Durante uma entrevista realizada em ambiente protegido, a menina, natural da República Democrática do Congo, revelou não ter qualquer laço familiar com a acompanhante e explicou que tinha sido entregue pelos pais para ser transportada até França. Segundo o seu testemunho, seria entregue a um homem naquele país, com quem estaria prometida em casamento, como forma de pagamento de uma dívida familiar.
A suspeita admitiu às autoridades ter recebido dinheiro para transportar e entregar a criança em França.
A menor manifestou ainda receio de regressar ao país de origem ou de voltar para junto dos progenitores, por temer ser novamente utilizada para saldar dívidas. Perante a situação, a PSP acionou os mecanismos de proteção previstos na lei para crianças e jovens em perigo, bem como as Equipas Multidisciplinares Especializadas de Assistência a Vítimas de Tráfico, que asseguraram o acompanhamento da vítima.
A investigação prossegue para apurar todas as circunstâncias do caso e identificar eventuais outros envolvidos.



