O ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, presidiu este sábado à cerimónia de inauguração da sede da Associação de Beneficiários do Regadio do Cávado, um novo edifício construído de raiz, na freguesia de Cabanelas, em Vila Verde, que permite aos agricultores desta zona do concelho cumprir um objetivo com 25 anos.
Edificado num terreno cedido pela Câmara de Vila Verde, que foi também responsável pela realização do projeto, a obra representou um investimento de cerca de meio milhão de euros, suportado pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a que se juntam os arranjos exteriores, a cargo do município, numa conjugação de esforços assinalada durante os discursos protocolares.
“Hoje, Cabanelas está orgulhosa. Este é um claro sinal de união e conquista”, começou por destacar a presidente da Junta, Anabela Rei, para quem a obra permitirá o “fortalecimento” de uma comunidade que “tem na terra e na água” dois dos seus pilares fundamentais, dando “melhores condições” para que a Associação de Beneficiários do Regadio do Cávado possa desenvolver o seu trabalho.
A autarca de Cabanelas destacou que esta é uma “infraestrutura necessária” para o crescimento do concelho no setor agrícola, ideia que foi depois enfatizada pelo presidente da Associação de Beneficiários do Regadio do Cávado, entidade gestora do aproveitamento hidroagrícola de Sabariz-Cabanelas.
“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”, disse Fernando Xavier, citando Fernando Pessoa, antes de lembrar o percurso feito até este momento. O líder da Associação de Beneficiários sublinhou que este “sonho” nasceu há 25 anos e considerou que a sede agora inaugurada é um “marco” da obra de reabilitação do regadio, que permitiu “mudar o paradigma” no concelho.
“Antes tínhamos 60% de terra inculta, só podia regar quem estivesse perto do rio. Hoje em dia já invertemos, com só 40% da área a não ser utilizada para a agricultura. Temos não só milho e centeio, mas floricultura, plantas ornamentais, frutos vermelhos, kiwis e alguns hortícolas”, precisou.
Entre vários elogios, Fernando Xavier destacou o “empenho” das presidentes da Junta de Cabanelas e da Câmara de Vila Verde, assim como o papel do ministro José Manuel Fernandes, para ser possível concretizar o projeto de edificação da sede, que foi passando por “momentos altos e baixos”. “Fomos ágeis, teimosos e conseguimos”, salientou.
Na mesma linha, a presidente da Câmara de Vila Verde, Júlia Fernandes, lembrou que os agricultores esperaram “muitos anos” pela obra e sublinhou que o “sonho” estava “quase a apagar-se”. O “projeto obsoleto” feito há mais de 20 anos foi entretanto substituído por outro, “com uma arquitetura belíssima, arrojada, moderna, perfeitamente enquadrado na paisagem”. “Mais uma vez, a união fez a força”, vincou a autarca.
AGRICULTURA “VIBRANTE”
José Manuel Fernandes destacou a importância de o país ter uma “agricultura vibrante”, considerando que se trata de um setor “vital”. “Comer e beber nunca vai passar de moda. É absolutamente crucial. E nós temos efetivamente produtos de enorme qualidade”, salientou.
O ministro vincou a necessidade de “melhorar o rendimento do agricultor” e de “desburocratizar” processos que permitam tornar a agricultura mais robusta. “É inaceitável que os agricultores ganhem, em média, menos 40% do que outras profissões”, afirmou, antes de sublinhar que a “simplificação é absolutamente essencial”.
“O agricultor tem de estar a trabalhar, não pode ser um burocrata que perde o tempo todo a preencher papéis”, defendeu José Manuel Fernandes.
Além de um auditório, onde decorreu a cerimónia protocolar de inauguração, a nova sede da Associação de Beneficiários do Regadio do Cávado conta com gabinetes, uma copa, casas de banho e outros espaços de apoio. O início da cerimónia foi animado pelo Rancho de Santa Eulália de Cabanelas.