A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) voltou esta quinta-feira a alertar para o risco elevado de cheias e deslizamentos de terras em diferentes regiões do território continental, apelando às populações que vivem junto a linhas de água para se prepararem para uma eventual retirada preventiva.
Durante uma conferência de imprensa, na qual esteve presente o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o comandante nacional da ANEPC, Mário Silvestre, sublinhou a manutenção de caudais muito elevados no rio Tejo, com possíveis impactos no rio Sorraia, sobretudo nas zonas da Cruz e de Navente.
Além da bacia do Tejo, estão igualmente sob vigilância vários cursos de água, entre os quais os rios Minho, Lima, Douro, Águeda e Guadiana, devido à rápida subida dos níveis e ao risco de novas inundações. O responsável explicou que, mesmo quando se verifica uma descida temporária dos caudais, a situação pode agravar-se novamente em poucas horas.
De acordo com a ANEPC, encontram-se ativados 12 planos distritais e 124 planos municipais de emergência, bem como 15 declarações de alerta emitidas por autarquias. O plano especial da Bacia do Tejo mantém-se em nível vermelho, o mais elevado da escala de alerta.
Desde o início do atual período de instabilidade meteorológica, foram registadas 16.623 ocorrências em todo o país, envolvendo 56.703 operacionais e 23.124 meios. As quedas de árvores e as inundações continuam a ser as situações mais frequentes, mas os movimentos de massa — como deslizamentos e derrocadas — são os que têm provocado maior número de desalojados, com impacto em infraestruturas, estradas e, em alguns locais, na rede ferroviária.
O comandante nacional da Proteção Civil advertiu que o risco deverá manter-se nos próximos dias, em virtude da elevada saturação dos solos. Há ainda cerca de 33 mil clientes sem fornecimento de eletricidade, sobretudo nos distritos de Leiria e Santarém.
Para a Grande Lisboa e a Península de Setúbal, estão previstas cheias rápidas, com possibilidade de inundação de garagens e caves. A circulação rodoviária é considerada de risco elevado, devido à presença de lençóis de água, arrastamento de detritos, nevoeiro e fraca visibilidade.
A ANEPC recomenda que os automobilistas não atravessem vias inundadas e evitem túneis e passagens inferiores. Em contexto doméstico, aconselha-se o fecho de portas e janelas, o desligamento da eletricidade, a permanência em pisos elevados e, caso seja necessário sair, que se leve apenas o indispensável, incluindo medicamentos essenciais.
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