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Sete zero ao intervalo, contra nove, não é bonito de se ver

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Por Álvaro Santos

A polémica situação vivida na última jornada envergonha o mundo do futebol e o país.

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Começo por fazer uma declaração de interesses:  sou benfiquista. Todavia, tentarei que a paixão clubística não tolha o meu discernimento nesta crónica.

No rescaldo da polémica em torno do jogo entre Belenenses SAD e Benfica, começa a consensualizar-se a ideia de que o principal responsável pela situação ocorrida é o presidente da SAD Belenenses. E têm sido hierarquizados os diversos níveis de culpa: a seguir ao Belenenses SAD aparece a Liga e já só muito residualmente, em fim de linha, o Benfica.

Com os dados disponíveis à hora que escrevo, tenderei a concordar com esta avaliação.

Por um lado, os dirigentes da Belenenses SAD deveriam ter solicitado formalmente o pedido de adiamento do jogo e não o fizeram. Este parece ser o pecado capital, o qual marcou tudo o que se desenrolou posteriormente!

Por outro, a Liga refugia-se no facto que descrevi anteriormente. Justifica-se com um dado meramente formal para nada ter feito. Não se pedia que a Liga, contrariando regulamentos, tomasse uma posição unilateral, nomeadamente adiando o jogo sem a concordância das duas equipas. Contudo, tinha a obrigação de ter uma acção pró-activa, emprestando o seu máximo esforço na procura de uma solução. Em vez de o fazer, colocou-se numa posição de mero cumpridor de normas regulamentares.

Por fim, já no final da linha dos “culpados”, surge o Benfica. Ora, o Benfica, até ao início do jogo, não me parece, sinceramente, que tenha qualquer tipo de responsabilidade. Se não foi confrontado com um pedido de adiamento do jogo tinha de se apresentar em campo, sob pena de ser penalizado. Muito pouco poderia ter feito.

Mas “a partir do início do jogo” não gostei do que vi!

Confrontado que foi com a obrigação de realizar o jogo, mal tivesse garantido a vantagem de dois ou três golos deveria ter tirado o pé do acelerador e não deveria ter marcado mais nenhum. Era o mínimo que devia ter feito por respeito à dignidade dos seus adversários, colegas de profissão, e para alertar que o que se estava a passar era mau de mais.

Estar a ganhar sete a zero ao intervalo nestas circunstâncias não foi bonito de se ver e eu como “Benfiquista ferrenho” senti-me triste. Confesso que muitas vezes festejo de forma efusiva os golos do Benfica, mas neste jogo não consegui festejar um só. Estive apático, incrédulo com o que se estava a passar.

E se o jogo não terminasse logo no início da segunda parte, estaria a equipa do Benfica disposta a ganhar por quinze ou vinte?

Compreendo que foi tudo em cima da hora e isso às vezes não permite discernimento e até impede que se tomem decisões racionais. Mas um clube com a estrutura do Benfica tinha obrigação de ter alguém que alertasse os mais envolvidos nas decisões em campo para a gravidade da situação.

Não gostando do que vi, também não alinho em muito do que se vai dizendo por mera cegueira clubística (atinge todos e eu às vezes também vejo penalties onde não os há). Até já vi verdadeiros disparates como, por exemplo, que o Benfica até devia não ter comparecido mesmo que perdesse os pontos…

Faltou ao Benfica uma voz de comando a pôr bom senso na situação bizarra que estava a acontecer.

Repito que estar a ganhar sete zero ao intervalo, contra nove, que nem eram os mais fortes do plantel adversário, dois dos jogadores de campo até seriam guarda redes, não é mesmo nada bom de se ver.

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