Por Luís Sousa (Médico)
A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é uma doença frequente e que compromete de forma significativa a qualidade de vida. Caracteriza-se pela redução ou interrupção recorrente do fluxo aéreo durante o sono provocando episódios repetidos de hipoxemia (redução do oxigénio no sangue) e fragmentação do sono. Afeta mais frequentemente o sexo masculino, tendo uma prevalência crescente. Apesar disso, permanece subdiagnosticada.
A SAOS constitui um fator de risco para várias doenças cardiovasculares e metabólicas, como a hipertensão arterial, a insuficiência cardíaca, a fibrilação auricular, a doença coronária, diabetes e acidente vascular cerebral. À medida que a gravidade da doença aumenta, cresce igualmente o risco de eventos cardiovasculares adversos, incluindo enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral.
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de SAOS incluem a idade entre os 40 e os 70 anos, o sexo masculino, a obesidade, a fibrilação auricular, a hipertensão arterial, a diabetes, a insuficiência cardíaca, entre outros.
A manifestação clínica mais característica é a fadiga e a sonolência diurna excessiva, frequentemente acompanhada de sono não reparador. O ressonar é outro sintoma muito frequente, estando presente em cerca de metade dos doentes. Cerca de 12-18% dos doentes apresentam dores de cabeça ao acordar em mais de 50% dos dias. A cessação da respiração durante o sono é o sintoma mais específico. Importa referir que nenhum sinal isoladamente é suficiente para confirmar o diagnóstico e não existem achados no exame físico que permitam identificar a doença de forma inequívoca.
Perante uma suspeita de SAOS, a avaliação inicial deve integrar instrumentos de rastreio validados aplicados na consulta médica, sendo o diagnóstico definitivo baseado na realização de um estudo de sono que pode ser realizado em ambiente domiciliário.
O tratamento da SAOS tem como principal objetivo reduzir as pausas respiratórias durante o sono, melhorar os sintomas de sonolência diurna e aumentar a qualidade de vida relacionada com o sono. A terapêutica com pressão positiva nas vias aéreas (chamada CPAP) constituiu o tratamento de primeira linha para adultos com SAOS, que implica uma utilização diária durante o sono. A adesão ao tratamento representa, no entanto, um desafio terapêutico, pois nem todos os doentes se adaptam à utilização do CPAP. Quando maior o número de horas de utilização noturna do CPAP, melhores serão os resultados clínicos.
Além disso, importa não esquecer medidas relacionadas com o estilo de vida, recomendadas a todos os doentes como complemento terapêutico. A perda de peso, particularmente em doentes com obesidade, resulta em melhoria da sonolência diurna e da qualidade de vida. Quanto a outras opções de tratamento, onde se incluem abordagens cirúrgicas, devem ser reservadas para situações específicas.
Reconhecer precocemente os sinais e sintomas da SAOS é importante para um diagnóstico atempado, resultando em mais energia durante o dia, mais qualidade de vida e menores complicações no futuro.



