Cerca de 150 cidadãos venezuelanos recentemente deportados dos Estados Unidos terão ficado sob os escombros de um hotel utilizado como centro de detenção, após o violento sismo que atingiu a Venezuela, segundo relatos das autoridades e testemunhos de familiares. Até ao momento, apenas 12 pessoas foram encontradas com vida entre os 147 deportados inicialmente contabilizados.
O grupo tinha chegado ao país na manhã de quarta-feira, num voo proveniente dos EUA, sendo recebido no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, conforme um vídeo divulgado por Melvin Maldonado, responsável pela missão do programa nacional de repatriação. Nas imagens, os repatriados surgem a cumprir procedimentos administrativos de entrada, aparentemente sem indícios de que seriam encaminhados para uma zona de elevado risco sísmico.
Após a chegada, os cidadãos — maioritariamente homens (120), além de 19 mulheres e sete crianças — foram escoltados pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) para o Hotel Santuario La Llanada, no estado de La Guaira, que funcionava como centro de detenção temporário.
Horas depois, o edifício colapsou na sequência de um dos sismos mais fortes registados na região nas últimas décadas, atingindo precisamente a área onde se encontravam os deportados.
Entre os sobreviventes, há relatos de momentos de caos e destruição. Daniela, familiar de um dos sobreviventes, Joan, afirmou ao jornal El País que o marido sobreviveu depois de uma estrutura de beliche ter amortecido parcialmente o impacto dos escombros. “Está em choque”, disse.
Segundo o mesmo testemunho, os sobreviventes terão tentado auxiliar outras vítimas no rescaldo imediato do colapso.
O caso está a gerar forte contestação, com familiares a acusarem as autoridades venezuelanas e o SEBIN de terem mantido os deportados confinados sem possibilidade de evacuação, apesar das condições de risco.
“Como é possível que os tragam de lá, em busca de uma vida melhor, e depois os detenham?”, questionaram familiares de uma das vítimas, em declarações ao El País.
Entre os feridos em estado grave encontra-se um jovem de 21 anos, que sofreu amputações e está internado em estado crítico num hospital de Caracas.
As operações de busca e salvamento continuam, enquanto as autoridades não excluem que o número de vítimas possa aumentar nas próximas horas.



