O número de vítimas mortais causadas pelos violentos sismos que atingiram a Venezuela na quarta-feira subiu para pelo menos 188, segundo o mais recente balanço das autoridades. Há ainda registo de 1.520 feridos e cerca de 200 pessoas que permanecem desaparecidas ou presas sob os escombros, enquanto prosseguem as operações de busca e salvamento.
As equipas de emergência continuam numa corrida contra o tempo nas zonas mais afetadas, particularmente na região de Caracas e no norte do país, onde o colapso de edifícios, danos em infraestruturas e interrupções de serviços essenciais agravaram o impacto da catástrofe.
Dois lusodescendentes entre as vítimas mortais
Entretanto, o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, revelou que já foi confirmada a morte de pelo menos dois lusodescendentes com ligações à região autónoma.
Em declarações aos jornalistas, Albuquerque adiantou que as duas vítimas mortais tinham raízes madeirenses, acrescentando que continuam a existir muitos desaparecidos, o que mantém elevada a preocupação das autoridades portuguesas e das comunidades emigrantes.
Entretanto, após estas declarações, subiu para três o número de mortos portugueses nos sismos na Venezuela Um das vítimas mortais foi encontrada com vida nos escombros, mas acabou por morrer a caminho do hospital.
A Venezuela alberga uma das maiores comunidades portuguesas e luso-descendentes fora da Europa, particularmente oriunda da Madeira, razão pela qual o acompanhamento da situação está a ser feito de forma permanente pelas autoridades nacionais.
Parlamento manifesta pesar e solidariedade
Perante a dimensão da tragédia, a Assembleia da República aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, um voto de pesar pelas vítimas dos sismos e uma mensagem de solidariedade para com a população venezuelana e a comunidade luso-venezuelana.
O voto, apresentado pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, destaca que os abalos sísmicos provocaram um elevado número de mortos, feridos e desalojados, além de um vasto cenário de destruição em várias regiões do país.
No texto aprovado, o Parlamento apresenta condolências às famílias das vítimas, deseja uma rápida recuperação aos feridos e sublinha os laços históricos, culturais e humanos que unem Portugal e a Venezuela, expressando uma mensagem de proximidade e preocupação para com os cidadãos portugueses e luso-descendentes residentes naquele país.
Os deputados assinalaram ainda o trabalho desenvolvido pelas equipas de proteção civil, profissionais de saúde, forças de segurança e voluntários envolvidos nas operações de socorro e assistência humanitária.
Operações de resgate continuam
Apesar do agravamento do balanço, as autoridades venezuelanas mantêm mobilizados milhares de operacionais, incluindo equipas de salvamento, forças policiais, militares e unidades cinotécnicas, numa tentativa de localizar sobreviventes entre os escombros.
Com centenas de edifícios danificados e dezenas de milhares de pessoas afetadas, teme-se que o número de vítimas continue a aumentar nas próximas horas, à medida que os trabalhos de busca avancem nas zonas mais devastadas pelos dois fortes sismos que abalaram o país com apenas 39 segundos de intervalo.



