Os sete arguidos, entre os quais se destaca Ruben Oliveira, conhecido pela alcunha de Xuxas, foram condenados pela prática, designadamente, de crimes de tráfico de estupefacientes agravado, de associação criminosa para o tráfico e de branqueamento de capitais, em penas únicas de prisão entre 10 e 20 anos.
Depois de o Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) ter confirmado em setembro de 2025, a condenação a prisão efetiva de ‘Xuxas’, considerado o maior traficante português, o arguido e os restantes seis no processo recorreram para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que, esta quinta-feira, em nota à imprensa comunicou que os mesmos foram negados.
“O STJ negou provimento aos recursos quanto à questão da validade da prova constituída pelas comunicações das plataformas encriptadas EncroChat e Sky ECC, obtida em França, sob autorização e controlo das autoridades judiciárias francesas, e transmitida a Portugal ao abrigo de Decisão Europeia de Investigação. Concluiu que a obtenção, a transmissão e a utilização dessa prova respeitaram o direito da União Europeia, na interpretação que dele faz o Tribunal de Justiça da União Europeia, bem como a lei processual penal portuguesa, não constituindo prova proibida”, lê-se na nota.
Assim sendo, e esclarece o Supremo, “o processo regressa ao Tribunal da Relação de Lisboa, para prolação de nova decisão, com o estrito âmbito referido, podendo esse Tribunal, se o julgar necessário, determinar o reenvio do processo à 1.ª instância”.
XUXAS COM PENA MAIS PESADA
O tribunal condenou em 22 de novembro de 2024 a penas entre oito e 20 anos de prisão cerca de uma dezena de arguidos no processo de tráfico de cocaína em que o principal visado, acusado de liderar a associação criminosa, é Ruben Oliveira ‘Xuxas’, condenado à pena mais pesada no processo, de 20 anos de prisão.
Em julgamento, para além de ‘Xuxas’, estiveram outros 15 arguidos singulares e três empresas no processo de tráfico de cocaína, associação criminosa e branqueamento de capitais, tendo o Ministério Público (MP) pedido condenações exemplares.
Segundo a acusação do MP, o grupo criminoso, liderado por Ruben Oliveira, tinha “ligações estreitas” com organizações de narcotráfico do Brasil e da Colômbia e desde meados de 2019 importava elevadas quantidades de cocaína da América do Sul.
A organização de ‘Xuxas’ tinha, ainda de acordo com a acusação, ramificações em diferentes estruturas logísticas em Portugal, nomeadamente junto dos portos marítimos de Setúbal e Leixões, aeroporto de Lisboa, entre outras, permitindo assim utilizar a sua influência para importar grandes quantidades de cocaína fora da fiscalização das autoridades portuárias e nacionais.
DROGA ESCONDIDA EM FRUTAS
Naqueles locais, a Polícia Judiciária realizou apreensões de cocaína que envolvem arguidos que supostamente obedeciam a ordens de Ruben Oliveira.
A cocaína era introduzida em Portugal através de empresas importadoras de frutas e de outros bens alimentares e não alimentares, fazendo uso de contentores marítimos. A droga entrava também em território nacional em malas de viagem por via aérea desde o Brasil.
Os arguidos recorriam, alegadamente, a “sistemas encriptados tipicamente usados pelas maiores organizações criminosas mundiais ligadas ao tráfico de estupefacientes e ao crime violento” para efetuarem comunicações entre si.



