A taxa alfandegária adicional de 10% sobre a maioria dos produtos que os Estados Unidos importam do resto do mundo entrou em vigor à meia-noite (5 horas em Portugal continental).
Esta tarifa de 10%, que cobre 184 países e territórios e será adicionada às taxas alfandegárias que já existiam, foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira, criando uma onda de choque para o comércio global.
No entanto, certos produtos estão, para já, isentos: petróleo, gás, cobre, ouro, prata, platina, paládio, madeira, semicondutores, produtos farmacêuticos e minerais não encontrados em solo norte-americano.
O aço, o alumínio e os automóveis importados também não são afetados, mas já estavam sujeitos a uma taxa alfandegária de 25%.
O Canadá e o México, sob um regime diferente, já estão a pagar um novo preço pela guerra comercial iniciada por Trump.
O preço será mais elevado a partir de 9 de abril para os países considerados particularmente hostis ao comércio livre, nomeadamente os que têm excedentes comerciais significativos com os Estados Unidos.
Trump anunciou tarifas totais de 54% para a China, 20% para a União Europeia (UE), 46% para o Vietname e +24% para o Japão, numa lista que inclui cerca de 80 países e territórios.
As novas tarifas do governo Trump deverão acelerar a inflação e abrandar o crescimento económico, sendo que o foco da Reserva Federal (Fed) será manter os aumentos de preços temporários, disse na sexta-feira o presidente da Fed, Jerome Powell.
Powell afirmou num comentário escrito que as tarifas e os seus impactos na economia e na inflação são “significativamente maiores do que o esperado”.
O responsável também disse que os impostos na importação são “altamente prováveis” de levar a “pelo menos um aumento temporário na inflação”, mas acrescentou que “também é possível que os efeitos sejam mais persistentes”.
“A nossa obrigação é […] garantir que um aumento único no nível de preços não se torne um problema contínuo de inflação”, disse Powell em comentários feitos em Arlington, Virgínia.
O foco de Powell na inflação sugere que a Fed poderá manter a taxa de juro inalterada em cerca de 4,3% nos próximos meses.
Pouco antes deste discurso, Donald Trump instou o presidente da Fed a baixar as taxas de juros, numa publicação na plataforma Truth Social.
“Este seria o momento PERFEITO para o presidente da Fed, Jerome Powell, cortar as taxas de juro”, escreveu o presidente republicano, afirmando que a inflação caiu desde o seu regresso ao poder.
Mas Powell declarou também que era “muito cedo” para ajustar a política monetária.
Economistas preveem que as tarifas enfraquecerão a economia, possivelmente ameaçarão as contratações e aumentarão os preços.
Nesse cenário, a Fed poderia cortar as taxas para impulsionar a economia, ou poderia manter as taxas inalteradas — ou até mesmo aumentá-las — para combater a inflação.
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